O Assunto

G1
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Jun 23, 2022 • 29min

Assédio: servidores na era Bolsonaro

Muito antes de sofrer a emboscada na qual seria assassinado no Vale do Javari, o indigenista Bruno Pereira denunciava as ameaças que ele e colegas de serviço público sofriam da “máquina pesada” instaurada pelo atual governo, que descreveu como “autoritário” em sua última entrevista, à Folha de S. Paulo, detalhando de que maneiras o presidente da Funai o pressionava. Não era um caso isolado. A pesquisadora Michelle Morais de Sá e Silva reuniu dezenas de relatos de funcionários que, sob condição de anonimato, expuseram o clima de “medo coletivo” predominante nas mais diversas áreas da administração federal. Em conversa com Renata Lo Prete, a professora da Universidade de Oklahoma (EUA) explica, em primeiro lugar, o “embaralhamento” imposto: parcela expressiva dos servidores foi transferida de seus órgãos de origem sem lógica nem consentimento, comprometendo a eficiência do serviço prestado e, em vários casos, a saúde física e mental dos atingidos. Participa também do episódio o sociólogo Frederico Barbosa, pesquisador do Ipea e um dos organizadores do livro “Assédio Institucional no Brasil: Avanço do Autoritarismo e Desconstrução do Estado”. Ele explica que, de 2019 para cá, houve “mudança de método”: a atitude oficial agora, além de mais agressiva para com os indivíduos, visa também desqualificar os órgãos públicos. As pessoas “adoecem”, enquanto as instituições “perdem seu próprio sentido”.
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Jun 22, 2022 • 23min

Bolsonaro, Lira e o teatro dos combustíveis

Desde o início do ano, a gasolina acumula alta de 9%, e o diesel, de 25%. Sob o impacto da crise internacional no setor de energia e do real desvalorizado, puxam uma inflação que corrói o poder de compra dos brasileiros e as chances de reeleição do presidente da República. Em resposta a este problema concreto, ele e aliados no Congresso escolheram um inimigo imaginário: a Petrobras. Uma ofensiva que escalou a patamar inédito a partir do último reajuste anunciado pela estatal, na sexta-feira passada. Em conversa com Renata Lo Prete, o jornalista Carlos Andreazza examina as ideias lançadas pelo consórcio Bolsonaro-Centrão para bombardear a empresa - de CPI a uma Medida Provisória que esvaziaria, numa canetada, as conquistas de governança trazidas pela Lei das Estatais, de 2016. Bolsonaro, diz o colunista do jornal O Globo e apresentador da rádio CBN, replica sua eterna “lógica do confronto” ao trocar o comando da Petrobras pela terceira vez. E o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), “dá aula de patrimonialismo” quando defende a MP em nome de “maior sinergia entre as estatais e o governo do momento”. Como principal elemento da farsa, Andreazza aponta o fato de que, ao longo da cruzada, Bolsonaro e auxiliares jamais colocaram em discussão a política de Preço de Paridade Internacional (PPI), dado essencial da equação. Para o jornalista, do barulho todo restará uma conta de pelo menos R$ 50 bilhões que conseguirá, no máximo, “maquiar a bomba de gasolina até a eleição”.
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Jun 20, 2022 • 1h 33min

ESPECIAL: Renata Lo Prete entrevista Simone Tebet

Pré-candidata pelo MDB, Tebet anuncia que, caso assuma a Presidência, irá lutar pela adoção de políticas que busquem o “desmatamento zero”. Ela defende duas bandeiras como “principais objetivos” de sua candidatura: “erradicar a miséria” e garantir que “não se derrube uma árvore de forma ilegal no Brasil”. Entre suas propostas, sugere recriar um ministério específico para Segurança Pública e advoga pela manutenção do teto de gastos: “a responsabilidade fiscal existe para alcançar um fim, que é a responsabilidade social”. Perguntada sobre o que fará caso não esteja no 2º turno, respondeu que “no palanque eleitoral defendendo a democracia”. Aos 52 anos, Simone, que é senadora pelo estado de Mato Grosso do Sul, concorre pela 1ª vez. O Assunto apresenta a primeira rodada de entrevistas do jornalismo da Globo nas eleições deste ano. O encontro de 1h30 de duração foi transmitido ao vivo pelo g1 na tarde da segunda-feira (20) e publicado na íntegra como episódio especial do Assunto. Foram chamados os cinco pré-candidatos com melhor pontuação na pesquisa Datafolha do dia 26 de maio. A campanha do presidente Jair Bolsonaro, do PL, não chegou a enviar representante ao sorteio da ordem. A do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enviou. Nenhuma das duas confirmou presença até a data-limite, 3 de junho. Ciro Gomes (PDT) foi entrevistado em 13 de junho. No dia 11 de julho é a vez de André Janones (Avante).
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Jun 20, 2022 • 29min

Bolsonaro e o octógono do golpe

Em 2018, as urnas deram vitória ao candidato que se apresentou como “outsider”. Alojado no então nanico PSL, Jair Bolsonaro prometia governar contra toda a política tradicional. Quatro anos depois, concorre à reeleição pelo notório PL, mas mantém o discurso antissistema. “Ele tenta convencer sua base de que, mesmo com o Centrão, segue lutando”, afirma Marcos Nobre, autor do livro “Limites da Democracia”, recém-lançado pela editora Todavia. Para o núcleo duro de seu eleitorado, “deu certo”, resume o professor de filosofia da Unicamp, também presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Em conversa com Renata Lo Prete, ele recupera uma linha do tempo que começa nos protestos de junho de 2013, passa pela Operação Lava Jato e chega à ascensão do “partido digital bolsonarista”. Nobre descreve uma tempestade perfeita em que se misturam radicalismo, relação umbilical com as Forças Armadas e Centrão no comando do Orçamento secreto. “Bolsonaro joga um jogo muito diferente daquele jogado pelas forças democráticas” diz, ressaltando que isso tende a se prolongar para além de outubro: “Para ele, ganhar eleição não é objetivo, mas instrumento”. Diante daquilo que descreve como iminente “caos social duradouro”, Marcos aponta que apenas a união dos mais diferentes setores pode se contrapor a “todas as possibilidades de golpe” que estão no horizonte. “É um momento sem volta: ou daremos um salto democrático, ou perderemos a democracia”.
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Jun 17, 2022 • 23min

Juros recorde nos EUA: alerta na economia

Desde 1981, os americanos não sentiam na pele uma inflação tão alta, acima dos 8% ao ano. Uma reação colateral – e inesperada - à série de “pacotes fiscais substanciosos” que o presidente Joe Biden e seu antecessor Donald Trump despejaram para reanimar a economia. Neste episódio, Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, conversa com Julia Duailibi para descrever a sequência de “choques de demanda” que vêm impactando o mundo desde 2019: primeiro, a crise dos suínos na China; depois, a pandemia de Covid-19; e, por fim, a guerra na Ucrânia, “um dos celeiros de comida do mundo”. Os efeitos têm sido conhecidos no mundo todo, não só nos EUA, uma inflação generalizada, com destaque para os alimentos. O economista também explica que a contração monetária americana deve ajudar a segurar os preços, inclusive dos combustíveis, em todo o mundo, mas não de graça. “EUA crescendo menos é ruim para os emergentes”, afirma.
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Jun 16, 2022 • 23min

O assassinato de Bruno e Dom na Amazônia

Mais de dez dias depois do desaparecimento do indigenista brasileiro e do jornalista britânico, o caso se encaminha para um desfecho. O principal suspeito, Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, confessou à Polícia Federal o assassinato e a ocultação dos cadáveres das vítimas - seu irmão Oseney também foi detido, mas não assumiu o crime. Nesta quarta-feira, Pelado levou os policiais até o ponto do rio Itaquaí onde teria descartado os corpos: resquícios de material humano foram encontrados e levados à perícia para a confirmação das identidades. Neste episódio do Assunto, Julia Duailibi conversa com Alexandre Hisayasu, repórter da TV Amazônica que acompanha o caso de perto. É ele quem narra o passo a passo das investigações, desde as condições precárias da polícia local até a intensa participação de grupos indígenas nas buscas de pistas sobre o paradeiro da dupla: “o Bruno era muito respeitado pelas lideranças da região”, lembra. Alexandre explica também as relações hostis entre o indigenista, que atuava na proteção da Terra Indígena Vale do Javari, e traficantes, garimpeiros e pescadores ilegais, que há anos o ameaçavam.
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Jun 15, 2022 • 22min

A batalha do ICMS

De olho na reeleição, há meses Jair Bolsonaro tenta empurrar para os Estados, que arrecadam o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, a responsabilidade pela escalada dos preços dos combustíveis, locomotiva da inflação. Em sintonia com o presidente, o Congresso se movimenta para limitar as alíquotas desse que é o principal imposto brasileiro, ameaçando os governadores com perdas de mais de R$ 100 bilhões, segundo estimativa do conselho dos secretários de Fazenda. "É uma guerra fiscal de despesas e receitas na federação", resume Élida Graziane, procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo. Segundo ela, a União vem progressivamente se desobrigando de despesas, ao mesmo tempo em que “inibe ganhos” dos outros entes. Antes do ICMS, lembra a professora da Fundação Getúlio Vargas, também o IPI foi garfado para segurar os preços dos combustíveis -e eles continuaram a subir. Na conversa com Renata Lo Prete, ela ainda descreve como esses movimentos comprometem, “numa só machadada", gastos com saúde, educação e segurança pública. "O governo federal tolhe o custeio abrupta e rapidamente, enquanto promete compensações que não passam de promessa".
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Jun 13, 2022 • 1h 29min

ESPECIAL: Renata Lo Prete entrevista Ciro Gomes

Pré-candidato pelo PDT, Ciro diz que, caso assuma a Presidência, irá “abrir mão da reeleição em troca das reformas do país”. Ele defende a necessidade de uma “reconstitucionalização do Brasil”, que seria feita a partir de "grande pacto" com governadores e prefeitos. Entre suas propostas, apresenta um programa de “renda mínima” para reduzir a miséria, além da federalização da educação básica e a proibição de militares em cargos políticos. Também sobre a presença das Forças Armadas no governo Bolsonaro, o pré-candidato chamou de “Frota boys” os ministros mais próximos ao presidente – uma referência ao general Sylvio Frota, um dos quadros mais radicais da ditadura militar. Aos 64 anos, Ciro concorre pela 4ª vez. O Assunto começa a primeira série de entrevistas do jornalismo da Globo nas eleições deste ano. A entrevista foi transmitida ao vivo pelo g1 na tarde da segunda-feira (13) e publicada na íntegra como episódio especial do Assunto. Foram chamados para a série de entrevistas os cinco pré-candidatos com melhor pontuação na pesquisa Datafolha do dia 26 de maio. A campanha do presidente Jair Bolsonaro, do PL, não chegou a enviar representante ao sorteio da ordem. A do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enviou. Nenhuma das duas confirmou presença até a data-limite, 3 de junho. Na próxima segunda-feira (20), a entrevistada será Simone Tebet (MDB). No dia 11 de julho é a vez de André Janones (Avante).
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Jun 13, 2022 • 25min

O Censo e a população LGBTQIA+

A Justiça Federal do Acre determinou que o IBGE inclua questões sobre orientação sexual e identidade de gênero no questionário do censo demográfico deste ano. No entanto, ao recorrer da decisão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística alega que a única alternativa possível para a inclusão é um novo atraso: previsto originalmente para 2020, o Censo foi adiado pela pandemia e, no ano seguinte, por falta de orçamento. "O que não se pode esperar são mais dez anos para que finalmente haja a inclusão da população LGBTI+", diz o professor de Direito da Unifesp Renan Quinalha. Em conversa com Julia Dualibi, o autor do livro “Movimento LGBTI+: uma breve história do século XIX aos nossos dias”, conta que a reivindicação para a inclusão vem desde o começo dos anos 1980, pois "sem dados qualificados, a gente não tem políticas públicas efetivas e precisas". A consultora do IBGE Suzana Cavenaghi explica a complexidade da organização de uma pesquisa, “cujas perguntas são planejadas desde o fim do Censo anterior”. Embora a barreira principal seja a falta de tempo hábil - todas as perguntas necessariamente precisam passar por testes com a população -, ela alerta para o risco de uma eventual “desinformação” decorrente da reação dos entrevistados diante do questionamento. “Isso pode botar a perder toda uma operação censitária”.
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Jun 10, 2022 • 23min

A nova regra para os planos de saúde

Talita Negri e sua filhinha de 3 anos percorrem quase mil quilômetros para que ela tenha acesso ao tratamento adequado para seu problema de saúde. Para atender Victoria, que tem microcefalia com comprometimento motor e intelectual, ela entrou na Justiça e exigiu que a empresa de assistência médica financiasse o custo de clínicas e profissionais especializados. “Hoje, ela consegue ficar em pé sozinha”, orgulha-se Talita em depoimento à equipe do Assunto. Histórias como essa podem se tornar ainda mais raras depois que o STJ, por 6 a 3, definiu que o rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar deve ser considerado taxativo. Ou seja, os planos de saúde estão desobrigados a oferecer qualquer tratamento ou terapia que não esteja na lista da ANS. Mas, aponta a médica Lígia Bahia, há uma “vírgula” no texto que permite exceções. Em entrevista a Julia Duailibi, a professora e coordenadora do grupo de pesquisa sobre saúde coletiva da UERJ explica por que juízes de 1ª e 2ª instâncias devem “reconhecer os abusos e interpretações absurdas” dos planos de saúde. No entanto ela se preocupa com a “grande chantagem” da qual as empresas lançam mão para justificar aumentos de preço e influenciar as decisões da ANS – cuja função é defender o direito do consumidor, mas se coloca “descaradamente” do outro lado. Ela fala ainda sobre a pressão que tal medida pode colocar sobre o Sistema Único de Saúde: “O SUS ficou para os pobres e os planos de saúde, para os menos pobres”.

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