O Assunto

G1
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Aug 6, 2021 • 23min

A delta vai adiar o fim da pandemia?

Uma onda de otimismo tomou países com altas taxas de vacinação. Alguns chegaram a realizar o “dia da liberdade”, com o fim de restrições e uso de máscara em ambientes fechados. Mas a situação mudou com o aumento expressivo no número de novos casos de Covid nas últimas semanas - resultado da alta transmissibilidade de variante delta. Neste episódio, Natuza Nery ouve dois infectologistas: Esper Kallás e Marcelo Otsuka. Coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Otsuka explica por que, diante desta variante que é tão infecciosa quanto a catapora, será preciso ampliar ainda mais a vacinação em massa. Para Kallás, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, há dois sinais amarelos para a continuidade do atual modelo de cobertura vacinal. A primeira é a “desigualdade intensa” na distribuição global de doses – 75% estão apenas em mãos de dez países. E a segunda é a necessidade de produzir uma segunda, e mais eficiente, forma de imunidade, com foco na mucosa do sistema respiratório.
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Aug 5, 2021 • 27min

Assédio sexual: a pressão contra o governador de NY

Andrew Cuomo viu sua popularidade ir às alturas por causa das ações de combate à pandemia, até que ainda no fim de 2020 surgiu contra ele a primeira denúncia de assédio sexual. Agora, o democrata é pressionado para renunciar, depois de um relatório mostrar evidências de que ele assediou 11 mulheres. Neste episódio, Natuza Nery conversa com duas convidadas: Candice Carvalho, jornalista da Globo em NY, e Marina Ganzarolli, advogada responsável pelo movimento 'Me too Brasil' e fundadora da rede feminista de juristas. Marina define como o consentimento é que determina se há assédio ou não. Ela analisa como muitos assediadores "usam o poder para intimidar" as vítimas e como, a exemplo de Andrew Cuomo, têm redes de proteção e círculos de contatos que dificultam as denúncias. "Existe um pacto de silêncio e de silenciamento das vítimas", diz. Candice relata as evidências contra Cuomo e como a popularidade dele ruiu. Ela fala ainda sobre os próximos passos da investigação, do processo de impeachment contra o democrata e como, sem apoio político e popular, a situação dele fica cada vez mais insustentável.
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Aug 4, 2021 • 30min

Bolsonaro enquadrado pelo TSE

Às vésperas da eleição que lhe daria a Presidência, Bolsonaro já questionava o sistema eleitoral - o mesmo que o elegeu deputado federal sete vezes. Como presidente, seguiu a ofensiva, sobretudo contra a urna eletrônica. “Nunca houve uma prática tão serial de ataques às instituições”, diz Conrado Hubner Mendes, professor de Direito Constitucional da USP e doutor em Ciência Política. Em conversa com Natuza Nery, Conrado analisa a atuação “omissa” do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, como peça chave para a estratégia bolsonarista de manter seu eleitorado coeso. “Ele já cruzou todas as linhas possíveis. Bolsonaro está em um jogo de tudo ou nada e qualquer concessão o prejudicará em 2022”. A crise institucional chegou ao ápice na live presidencial da última quinta-feira, quando Bolsonaro reforçou o discurso de fraude eleitoral e, novamente, ameaçou não haver eleições sem voto impresso. Contudo, pela primeira vez, houve reação para além das notas de repúdio: o TSE aprovou, por unanimidade, a abertura de inquérito contra o presidente.
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Aug 3, 2021 • 29min

Mãe solo: a realidade no Brasil

A trajetória da ginasta Rebeca Andrade, que fez história em Tóquio, expôs a realidade de 11,5 milhões de mulheres brasileiras. Como Dona Rosa, responsável por Rebeca, são elas que provêm tudo aos filhos, sozinhas. E mais da metade delas está abaixo da linha da pobreza. Neste episódio, Natuza Nery recebe duas convidadas: a demógrafa Suzana Cavenaghi e a socióloga Hayeska Costa. Suzana, que integra a comissão consultiva do Censo, retrata que essas mulheres "estão espalhadas por todo o país". Suzana aponta ainda como, apesar de as mulheres terem avançado no mercado de trabalho, a responsabilidade em torno dos filhos "continua sobre os ombros" das mães. Já Hayeska detalha como "ser mãe solo não tem a ver com o estado civil", mas sim com a relação de sobrecarga financeira e psicológica em torno dessas mulheres. "Elas são as principais cuidadoras da sociedade", conclui, ao constatar também como elas foram as principais afetadas pela pandemia.
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Aug 2, 2021 • 28min

Fogo na Cinemateca: memória destruída

“Todo mundo sabia que ia acontecer. E aconteceu", diz o diretor Cacá Diegues sobre a crônica de negligência e asfixia de recursos que culminou no incêndio do galpão na Vila Leopoldina, em São Paulo. Os documentos armazenados ali, cerca de um milhão, não dizem respeito apenas ao trabalho de artistas de renome, lembra Cacá, integrante da Academia Brasileira de Letras. São décadas e décadas de produção audiovisual, muitas vezes de anônimos, a contar a história do país. O descaso vem de longe, mas o desejo de extermínio é recente, diferencia Cacá: “Não é que o atual governo não se interesse pelo cinema. Ele é contra o cinema, contra a cultura”. No fundo, “o governo brasileiro não quer que o Brasil exista”. Na conversa com Renata Lo Prete, o diretor reflete sobre o significado retrospectivo de seu “Bye Bye Brasil”. O filme, que no ano 1 da pandemia completou quatro décadas, aborda temas para lá de atuais, como destruição ambiental e aniquilação de povos indígenas. A despeito das dificuldades, Cacá continua a criar. E acredita que ninguém conseguirá matar o cinema brasileiro. Sem ele, “você corta a possibilidade de o país se organizar e ser alguma coisa".
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Jul 30, 2021 • 23min

Endividamento recorde do brasileiro

Em abril, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas atingiu inéditos 58,5%. Em muitos casos, elas foram contraídas não para a aquisição de bens, mas simplesmente para dar conta de despesas básicas. Um drama alimentado por fatores como o avanço da inflação e o elevado desemprego, explica Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Em entrevista a Renata Lo Prete, ele analisa o papel do auxílio emergencial (primeiro suspenso e depois reduzido pelo governo) nesse quadro. Fala ainda do complicador representado pelo fato de que o país teve duas retrações em curto período (a de 2015-2016 e a do ano passado). E prevê dificuldade extra para a superação do endividamento, por causa da trajetória de alta dos juros. Participa também Myrian Lund, professora de Finanças da FGV. É ela quem dá dicas para quem se encontra numa bola de neve. “Sempre tem solução", que, segundo ela, passa por “estruturar a situação e só daí renegociar" com o banco. Ela sugere ainda planejar receitas e despesas a longo prazo e evitar o crédito consignado. "Por ter taxa mais baixa, você pega mais. Quando vê, está com a vida comprometida".
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Jul 29, 2021 • 32min

Simone Biles: saúde mental primeiro

A maior ginasta de todos os tempos chegou a Tóquio sob pressão para ampliar seus feitos. Ao decidir ficar fora de pelo menos duas competições para cuidar de si e recuperar a autoconfiança, ela abriu uma discussão planetária que não se restringe ao esporte. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe dois convidados: Marcos Uchoa e Vera Iaconelli. Repórter da Globo que cobre Olimpíadas há mais de três décadas, ele começa por explicar o fenômeno Biles: "o que ela faz, ninguém mais é capaz de fazer". Ele descreve o estresse a que são submetidos desde muito cedo os atletas de alta performance, especialmente na ginástica. “Há uma deformação da infância e da adolescência", diz. Vera, doutora em psicologia pela USP e diretora do Instituto Gerar de Psicanálise, analisa o caso Biles sob o aspecto da “relação com os nossos desejos". Ela questiona a caracterização do gesto da campeã como “um problema”, e pondera: “Saúde mental é poder dizer não a certas coisas que não são aceitáveis. E não tentar loucamente se adaptar a elas".
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Jul 28, 2021 • 28min

Brasil, potência no surfe e no skate

Italo Ferreira, Rayssa Leal, Kelvin Hoefler: três medalhistas na estreia dessas duas modalidades em Olimpíadas. Não é exagero comparar seus feitos “aos de nomes como Messi e Neymar”, diz o jornalista Paulo Lima. E tampouco se trata apenas de um “bom momento” dos esportes de prancha no país, mas sim de uma construção de décadas, que envolveu talento e esforço de muita gente. Para entender essa trajetória, Renata Lo Prete conversa com o criador da revista Trip e da editora de mesmo nome. “O prazer de deslizar, assim como o de voar, é atávico”, lembra Paulo, ao resgatar a origem do encantamento. O skate nasceu do surfe, e desde então eles se retroalimentam. Nas manobras mais ousadas de atletas como Italo Ferreira e Gabriel Medina, Paulo identifica movimentos originalmente vistos nas rampas e nas pistas. Ele descreve as origens e analisa os fatores que ajudaram a disseminar surfe e skate para além do eixo Rio-São Paulo. Especialmente no caso do surfe, segundo ele, não tem pra mais ninguém: “Hoje o Brasil lidera no mundo, em todas as frentes".
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Jul 27, 2021 • 25min

A pandemia dos não-vacinados

Depois de um 2020 trágico, os Estados Unidos entraram em rota de superação do coronavírus graças, sobretudo, ao maior estoque de doses de vacina do planeta. Assim imunizaram quase metade da população, mas a partir daí a campanha começou a ratear, e a variante delta, a ganhar terreno. Hoje, casos, hospitalizações e óbitos estão de novo em alta no país. E governadores e prefeitos de diversas localidades se inclinam por duas medidas que prometem gerar resistências: restabelecer o uso obrigatório de máscaras e exigir imunização de servidores públicos. Neste episódio, o correspondente da Globo Tiago Eltz descreve a disparidade de cobertura vacinal entre os Estados americanos e o papel do movimento antivacina na construção dessa realidade ameaçadora. Participa também a epidemiologista Fátima Marinho, da organização Vital Strategies. Ela resgata as origens do movimento, apontando onde mais ele é forte no mundo. E, para mostrar o contraste, analisa dois casos de imunização homogênea e com bons resultados na América do Sul: Chile e Uruguai.
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Jul 26, 2021 • 25min

Militares de novo no poder: as origens

Primeiro, eles saíram dos quartéis para o front internacional em missões de grande visibilidade, notadamente a do Haiti. Depois, foram chamados a atuar em segurança pública interna, numa escalada de operações que culminou com a intervenção de 2018 no Rio de Janeiro. Logo depois da eleição de Jair Bolsonaro, o então comandante do Exército, Eduardo Villas-Bôas, qualificou como “volta à normalidade” a atuação de quadros das Forças Armadas em áreas de natureza civil da administração federal -hoje em patamar sem precedentes. “Este é um governo de militares", observa Natalia Viana, diretora-executiva da Agência Pública e autora do recém-lançado “Dano Colateral”. No momento em que eles disputam terreno com políticos do Centrão - e recebem a conta do desempenho desastroso na pandemia-, a jornalista resgata o capítulo inaugural dessa história. Mostra, com apuração minuciosa, a opacidade de informações e a impunidade de atos cometidos, em especial no Rio. E constata que “a democracia já está rota” quando um general (Braga Netto, ministro da Defesa) se sente à vontade para ameaçar ninguém menos do que o presidente da Câmara com a ruptura do calendário eleitoral. “Eles entraram na política e não pretendem se retirar”.

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