

O Assunto
G1
Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.
O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist 'This Is O Assunto'. Ouça agora no Spotify:
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Dec 1, 2021 • 23min
Boate Kiss: enfim caso vai a julgamento
São quase nove anos desde o incêndio na casa noturna da cidade gaúcha de Santa Maria, no qual morreram 242 pessoas, a maioria estudantes universitários. A data era 27 de janeiro de 2013, mas “é como se esses meninos e meninas morressem todos os dias” desde então, afirma Daniela Arbex, autora do livro “Todo Dia a Mesma Noite - A História Não Contada da Boate Kiss”. Isso porque, até hoje, ninguém foi responsabilizado pelas irregularidades e negligências que resultaram na tragédia. “Eu percebo que a falta de Justiça dói tanto quanto a morte”, diz a jornalista, referindo-se a suas conversas com familiares e sobreviventes (estes, mais de 600, muitos com sequelas graves). Nesta quarta-feira, depois de longo e acidentado processo, um júri popular começa a decidir o destino de quatro réus - dois ligados à boate e dois à banda que se apresentava no local e deu início ao fogo. Na conversa com Renata Lo Prete, Daniela destaca a luta dos pais, sem a qual, ela acredita, o julgamento jamais aconteceria. A memória daquela noite é motivo de “adoecimento permanente” para eles, que enfrentam ainda a “hostilidade” de outros moradores, que os culpam pelas dificuldades econômicas de Santa Maria. “Hoje, é uma cidade dividida entre as pessoas que perderam seus amores e aquelas que querem que a história seja esquecida”.

Nov 30, 2021 • 30min
Ômicron: por que o mundo tem medo
Em poucos dias, a nova variante do coronavírus, de origem ainda desconhecida, mas sequenciada primeiro na África do Sul, alcançou o status de “gravidade máxima”, conferido pela Organização Mundial da Saúde. “Foi a mais rápida”, observa Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo. Na conversa com Renata Lo Prete, ela explica o que levou a comunidade científica e o mercado ao estado de alerta em tempo recorde: o risco de que as mutações da ômicron saibam “escapar” da resposta imune desenvolvida por pessoas vacinadas. Nas próximas duas semanas, estima a epidemiologista, os principais laboratórios do planeta devem estabelecer o nível de eficácia dos atuais imunizantes contra a nova variante. Até lá, cabe ao governo brasileiro “ampliar o programa de testagem e de vigilância genômica”. Se for constatado que a ômicron tem mesmo grande potencial de dano, analisa o jornalista do Valor Econômico Assis Moreira, haverá mais pressão para que os países se entendam sobre a suspensão de patentes. Mesmo que ela só venha a se mostrar útil “numa próxima pandemia”. “Vai levar anos para que todos consigam produzir”, ele afirma. E alerta para o relatório em que a OMS prevê mais 5 milhões de mortes “se tudo continuar como está” do ponto de vista da distribuição global de vacinas. No campo da diplomacia, China, Rússia e Estados Unidos prometem a transferência de bilhões de doses para reverter a desigualdade: os países do G-20 compraram 89% de todas as disponíveis - e já anteciparam a aquisição majoritária das futuras. “Já existe vacina suficiente para todo o mundo; o problema é o desequilíbrio”.

Nov 29, 2021 • 22min
Pobreza Menstrual: sociedade reage
Na esteira do veto de Jair Bolsonaro à lei que prevê fornecimento gratuito de absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade, prosperaram iniciativas locais, dos setores público e privado, para atacar uma carência essencial de milhões de brasileiras. A forte repercussão ameaça reverter o próprio gesto do presidente — está em curso uma articulação no Congresso para derrubá-lo na próxima sessão de análise de vetos, no início de dezembro.

Nov 26, 2021 • 25min
Garimpo: Serra Pelada no Rio Madeira
Um arrastão de centenas de balsas num dos mais importantes afluentes do Amazonas, lar de cerca de 1.200 espécies de peixes. Atracadas em trecho situado no município de Autazes, a 133 km de Manaus (AM), elas são o traço mais visível de uma corrida do ouro que muitos já comparam à que se deu nos anos 80 na Serra dos Carajás (PA). O repórter Alexandre Hisayasu, que sobrevoou a área, descreve uma “invasão em massa de garimpeiros” que, por lei, não poderiam operar ali. Nesta quinta-feira, depois de duas semanas de tensão escalando, o vice-presidente Hamilton Mourão anunciou que será criada “uma força-tarefa” para lidar com o problema. Em conversa com Renata Lo Prete, o jornalista da Rede Amazônia, afiliada da Globo, detalha o funcionamento do garimpo sobre balsas e seu impacto ambiental - uma vez que tudo, “incluindo mercúrio”, é jogado de volta no rio. Para Raoni Rajão, professor de Gestão Ambiental e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia da UFMG, esse tipo de ação remete ao modo como agem as Farc do lado de lá da fronteira, “desafiando a autoridade e a soberania do Estado brasileiro”. A ousadia crescente dos garimpeiros, analisa Rajão, relaciona-se com o desmonte de órgãos como o Ibama e o “apoio explícito de parte do poder público” à atividade ilegal. Resultado de uma legislação criada décadas atrás para atender a lógica da lavra artesanal e que hoje é desvirtuada, facilitando a prática de crimes que mobilizam milhões de reais, equipamentos sofisticados e até helicópteros e aviões. Na Amazônia, mais da metade do ouro tem indícios de ilegalidade, afirma o pesquisador, gerando prejuízos de “escala bilionária”, muito superiores aos impostos arrecadados com a mineração legal. “Como um todo, é negativo para a sociedade”.

Nov 25, 2021 • 23min
Carne: embargo da China e outras pressões
Destino de 15% da carne bovina brasileira, a China suspendeu suas compras no início de setembro, depois que o Brasil reportou dois casos da doença da vaca louca. Agora, depois de mais de dois meses, dá sinal verde para a retomada parcial das importações. Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, analisa em conversa com Renata Lo Prete o impacto do embargo para o Brasil. Ele explica como a pandemia trouxe à tona duas questões que estão diretamente relacionadas ao agro: sustentabilidade e segurança alimentar. E seus resultados práticos: corrida acelerada dos países pela compra de mais comida, com pressão inflacionária global - com efeito mais severo para o mercado interno, diante da desvalorização do real em relação ao dólar. Em paralelo ao contencioso com a China, o ex-ministro fala sobre a preocupação do agro nacional com o eventual embargo ameaçado pela União Europeia sob argumento ambiental: uma “espécie de barreira não-tarifária”, que ele considera “protecionismo injustificado”. Participa também Rafael Walendorff, repórter do Valor Econômico. Ele atualiza o status da negociação entre os governos para a liberação da carne nos portos chineses e contextualiza a “jogada comercial” da China em derrubar parcialmente o embargo: repõe seu estoque interno de proteína animal (que tradicionalmente cai nos fins de ano) e “sinaliza boa vontade” aos frigoríficos brasileiros.

Nov 24, 2021 • 24min
Para onde vai o Chile no 2º turno?
Desde a redemocratização, coalizões de centro-direita e de centro-esquerda se alternaram no poder. Uma equação, ao menos na aparência, mais estável que a de outros países da região até 2019, quando milhares de chilenos tomaram as ruas por dois meses. “A panela de pressão explodiu”, resume a socióloga Beatriz Della Costa, diretora do Instituto Update, que estuda inovação política na América Latina. Para ela, dois fatores explicam a virada de vento: “brutal desigualdade social” e “baixo acesso a serviços públicos”. Os protestos abriram caminho para uma Assembleia Constituinte, eleita em maio deste ano, de configuração majoritariamente progressista. E agora, apenas seis meses depois, nova inflexão: no primeiro turno da disputa presidencial, realizado no domingo passado, o candidato da extrema-direita, José Antonio Kast, chegou na frente, com 28% dos votos. Na etapa final, seu adversário será o Gabriel Boric, de esquerda, que obteve 25%. “O que está em jogo é a capacidade de mobilização” de cada um, afirma Beatriz. Para o historiador Felipe Loureiro, os eleitores de Franco Parisi (terceiro colocado, com 13%), serão o fiel da balança. E, até aqui, os sinais são de que Kast teria capacidade de atraí-los em maior número. Loureiro, coordenador do curso de Relações Internacionais da USP e do Observatório da Democracia no Mundo, explica que a agenda econômica e o discurso de ordem de Kast têm aderência no mercado e entre nostálgicos da ditadura -ele é defensor ferrenho de Augusto Pinochet. Já a pauta de Boric, ligada a temas como preservação ambiental e defesa dos direitos humanos, encontra eco no eleitorado mais jovem.

Nov 23, 2021 • 26min
Prévias frustradas: o apagão tucano
De 1994 até 2014, o PSDB foi protagonista de todas as eleições presidenciais, vencendo as duas primeiras (com FHC) e perdendo para o PT no 2º turno das demais. Mesmo em 2018, Geraldo Alckmin conseguiu reunir a maior coalizão do pleito, antes de terminar em 4º lugar, com menos de 5% dos votos. Naquela altura, “o eleitor antipetista começou a enxergar mais defeitos no partido”, lembra o jornalista Fábio Zambeli, analista-chefe em São Paulo da plataforma Jota. E migrou em peso para Jair Bolsonaro. Desta vez, sem nenhum postulante com força suficiente para se impor de saída na disputa interna, a sigla marcou inéditas prévias para escolher entre João Doria (SP), Eduardo Leite (RS) e Arthur Virgílio (AM). Mas, na hora H, a milionária plataforma de votação simplesmente não funcionou. E agora os tucanos se bicam sobre o que fazer, expondo fraturas de difícil conserto. Na avaliação de Zambeli, o desastre de domingo “é um case de antipropaganda para o eleitor arrependido do voto em Bolsonaro” e empurra ainda mais o PSDB à condição de “plano C” para o espectro político que vai do centro à direita - atrás do próprio presidente e do ex-juiz Sergio Moro. “Há mais dúvida do que convicção na empreitada, seja com Doria ou com Leite”, diz. Favorito para vencer caso as prévias aconteçam, o governador de São Paulo será o mais prejudicado se o impasse se estender indefinidamente.

Nov 22, 2021 • 27min
Amazônia: a marcha batida da destruição
O balanço anual do Inpe indica, pela quarta vez seguida, avanço do desmatamento na região. No comparativo com o período anterior, a alta foi de 22%, correspondente a mais 13 mil km². Números não apenas assombrosos como ocultados pelo governo desde outubro, para que só viessem à luz depois da Cúpula do Clima da ONU. De posse das informações, o agrônomo André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (Ipam), dimensiona o estrago: uma perda anual equivalente a quatro vezes o tamanho do Distrito Federal, 90% em operações ilegais e mais da metade em terras públicas, griladas para especulação fundiária. “Ao perder floresta, perdemos biodiversidade, serviços ambientais e ciclos hídricos que ela mantém”, explica. Esse longo período de desmatamento em patamares elevados coincide com o protagonismo dos militares no Conselho da Amazônia, contextualiza a jornalista Marta Salomon, colaboradora da revista Piauí e doutora em Desenvolvimento Sustentável. Ela se baseia em documentos públicos para afirmar que a atual estratégia oficial para o bioma remonta à época da ditadura. “É uma visão de que não se trata de um território estratégico para mudanças climáticas, mas sim de uma fronteira de recursos naturais a ser explorada”. Marta explica também que as Forças Armadas assumiram não só o comando estratégico, mas também o das verbas públicas: em 2020, geriram R$ 370 milhões para a Amazônia, o dobro do que os órgãos ambientais tiveram no período. E os resultados vemos agora.

Nov 19, 2021 • 25min
Os “sem-nada” são quase 30 milhões
Em um contexto no qual a inflação se aproxima dos dois dígitos e o desemprego nas faixas de menor renda atinge um terço da população, o mês de novembro marca o fim da última fase do auxílio emergencial e a substituição completa do Bolsa Família, criado há 18 anos, pelo Auxílio Brasil. Uma operação que vai empurrar para a pobreza mais brasileiros - a maior parte mulheres, negras, jovens, com filhos, sem trabalho formal e moradoras de periferias e favelas, como descreve Lucia Xavier, assistente social há mais de 30 anos e coordenadora da ONG Criola, que atua no Rio de Janeiro. Ela relata que vê pessoas sem condições de comprar até medicamentos e comida, sobretudo proteínas animais. “As pontas das carnes eram compradas em açougues ou mercados, mas, agora, o recurso não alcança”, conta. O economista Marcelo Neri, diretor da FGV-Social, dimensiona e analisa: a renda dos mais pobres caiu 21,5% desde o início da crise sanitária. “É um Brasil bem pior do que antes da pandemia”. E com sinais econômicos apontando para mais deterioração. Neri explica que, ao olhar para trás, observam-se duas grandes crises - a recessão brasileira de 2016 e a mais recente, agravada pela pandemia. Mas, ao mirar à frente, a paisagem aponta estagflação. E um governo incapaz de focalizar sua política social. Diante de um “apagão de informações” que atrapalha a aplicação das políticas públicas, a vulnerabilidade é a nova regra. “Os mercados gostam de estabilidade, mas são os beneficiários desses programas que precisam muito mais dela”.

Nov 18, 2021 • 23min
Argentina em seu labirinto pós-eleitoral
O presidente Alberto Fernandez terá que atravessar os dois anos remanescentes de mandato sem maioria no Senado e com vantagem estreita na Câmara. E, nessas condições, enfrentar uma inflação que neste ano já supera 40%, mesmo percentual da população que vive na pobreza. Em conversa com Renata Lo Prete sobre desdobramentos das eleições legislativas de domingo passado, o jornalista Ariel Palacios resgata o histórico de uma crise econômica que vem de longe, foi agravada pela pandemia e agora cobra a conta do condomínio peronista instalado no poder central. “Condomínio que mais parece um hospício”, diz o correspondente da Globo em Buenos Aires. Ele se refere, principalmente, à disputa permanente entre os apoiadores de Fernandez e de sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner - também derrotada nas urnas. Ariel analisa ainda mudanças dentro da coalizão oposicionista, com perda de poder do ex-presidente Mauricio Macri. E recomenda prestar atenção à chegada da extrema-direita ao Congresso, com a eleição do economista “antissistema” Javier Milei.


