

O Assunto
G1
Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.
O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist 'This Is O Assunto'. Ouça agora no Spotify:
https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DXdFHK4Zrimdk
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Jan 12, 2022 • 25min
Explosão da ômicron: como ela mudou a pandemia
O tsunami de infecções provocado pela nova variante registra, dia após dia, recorde no número de casos: no mundo, foram mais de 3,2 milhões em 24 horas; no Brasil, a média móvel subiu mais de 600%. Trata-se de um cenário inédito na pandemia, que o médico Márcio Bittencourt, mestre em saúde pública e professor da Universidade de Pittsburgh (Estados Unidos), explica neste episódio. Em entrevista a Natuza Nery, ele esclarece por que é possível deduzir desta nova onda conclusões otimistas. “Não é só o vírus que mudou, mas seu hospedeiro também”, afirma. “Hoje estamos mais protegidos e imunizados”. A lógica é a seguinte: embora a ômicron seja “intrinsicamente mais transmissível” e “escape da imunidade”, a vacinação se provou capaz de reduzir o risco de internação ou complicação decorrente da Covid em até 20 vezes. No entanto, embora as evidências científicas demonstrem que a nova variante é cerca de 30% menos grave do que a variante dominante anterior, a delta, sua alta transmissibilidade ameaça sobrecarregar os sistemas de saúde em todo o mundo – inclusive no Brasil – e coloca em risco principalmente as crianças, ainda não imunizadas. A retomada de atividades cotidianas, como ir a festas ou voltar ao trabalho presencial, expõe a população adulta a novas contaminações e “essas pessoas, que são as que mais interagem com as crianças, acabam levando o vírus para casa”. Bittencourt ressalta que novas medidas de enfrentamento à Covid devem levar em conta, além dos índices de saúde pública, fatores como economia e convívio social. Mas que, agora, estamos em um momento no qual “se não houver medidas de contenção novamente, a transmissão seguirá intensa e irá infectar grande parte da população”.

Jan 11, 2022 • 21min
Por que está chovendo tanto?
Em 2021, o Brasil passou por uma estiagem que fez a conta de energia subir e acendeu o alerta vermelho do risco de um apagão. Isso até dezembro chegar. De lá pra cá, todas as regiões do país sofreram com enchentes, inundações e deslizamentos de terra decorrentes do intenso volume de chuvas. O sul da Bahia foi a primeira região a enfrentar a força das águas, que agora devastam Minas Gerais. Um evento que, descreve Marcelo Seluchi, coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), pode ser considerado o “maior desastre das últimas décadas” no Estado. Em entrevista a Natuza Nery, ele explica a “zona de convergência do Atlântico Sul”, fenômeno que é o principal responsável pela alta na precipitação fluviométrica, e justifica que, embora as tragédias deste verão não estejam diretamente vinculadas às mudanças climáticas, a tendência é de mais irregularidades no regime de chuvas. “Não vai aumentar a média, mas as oscilações. Os extremos, tanto chuvas mais intensas como secas mais longas, serão mais comuns”. Neste episódio, participa também Pedro Luiz Côrtes, professor de ciência ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. Ele lista os principais mecanismos de mitigação dos eventos climáticos extremos no Brasil e resume: “A palavra-chave é prevenção”.

Jan 10, 2022 • 22min
Cerrado: um bioma sob ameaça
Ele é o segundo maior do Brasil e ocupa uma área de quase um quarto do território nacional, mas está em vias de ser deixado à mercê do desmatamento. A partir de abril, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) irá encerrar o projeto que monitora a destruição do Cerrado – cujo custo anual é de R$ 2,5 milhões. “Falta visão estratégica”, resume Mercedes Bustamante, professora do departamento de ecologia da UnB e integrante da Academia Brasileira de Ciências, em relação ao fim do monitoramento. Ela explica que a “savana mais biodiversa do mundo” tem uma importância hidrológica que impacta todas as regiões do país. “Garante a segurança hídrica, energética e alimentar do Brasil”. E conclui que o avanço do agronegócio na conversão de terras é um “tiro no pé”. Também neste episódio, Natura Nery entrevista o jornalista Fábio Campos, da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás, que há duas décadas trabalha no Cerrado. Ele descreve a paisagem local, com suas “árvores baixas, troncos retorcidos e coloração amarelada” e conta por que os pesquisadores têm tanta urgência em estudar a região – que, informa, está sendo dizimada. “Hoje, as unidades de conservação representam 3% do que é o bioma”, informa. “O resto do Cerrado já não existe mais”.

Jan 7, 2022 • 21min
Apagão: Brasil sem dados na pandemia
Quando os sistemas do Ministério da Saúde sofreram um ataque hacker, em 10 de dezembro, o número de casos, hospitalizações e mortes por Covid estava no nível mais baixo do ano até então. Mas isso antes das celebrações de fim de ano, do surto de gripe em várias cidades e do avanço da variante ômicron, que já representa mais da metade das contaminações no país. Desde então, já há quase um mês, as autoridades sanitárias brasileiras enfrentam a pandemia de olhos vendados, sem os dados necessários para frear a nova onda de infecções - a taxa de positividade nos laboratórios particulares cresce acima de dois dígitos e os hospitais já registram lotação de leitos. “Informação é poder e não faz sentido a gente não ter”, diz Julio Croda, integrante da Fundação Oswaldo Cruz e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Em entrevista a Natuza Nery, o infectologista detalha o que faz cada um dos sistemas integrados do SUS e qual o caminho da informação do atendimento nas unidades de saúde até a consolidação no Ministério. Ele também revela que conversou com diversos técnicos que trabalham com a rede do SUS – eles afirmam que “esse sistema poderia ser restabelecido em dias”. "O ataque hacker não justifica a lentidão”. Neste episódio, participa também Leonardo Bastos, pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc), da Fiocruz, que explica como funciona a análise dos dados para a avaliação que guia as possíveis ações de políticas públicas no combate à Covid. “Tendo essas informações, as autoridades podem fazer algo, como abrir mais leitos”, afirma. “Inclusive o cidadão pode olhar para isso e pensar: ‘opa, não vou mais àquela festinha que eu ia’”.

Jan 6, 2022 • 24min
O começo de 2022 para Bolsonaro
O fracasso na condução da pandemia, a economia em estado vegetativo e o derretimento da aprovação nas pesquisas assombraram o fim de ano do presidente. Vieram as férias - que não foram interrompidas sequer diante da tragédia provocada pelas chuvas no sul da Bahia. Depois do susto que o levou a uma internação hospitalar repentina, Bolsonaro inicia 2022 pensando em um só objetivo: a reeleição. “Há um eleitor duro do bolsonarismo, que está em torno de 20% nas pesquisas”, afirma o jornalista e analista político Thomas Traumann, colunista da revista Veja do site Poder360. “Pode não ser alto o suficiente para ganhar o segundo turno, mas é muito alto para ele deixar de estar no segundo turno”. Em entrevista a Natuza Nery, o autor do livro “O pior emprego do mundo”, sobre a passagem de 14 ministros pela Fazenda, analisa as pesquisas de opinião para avaliar as chances de o capitão reformado chegar ao segundo mandato: para ele, Bolsonaro “já pagou o preço pela pandemia” eleitoralmente, mas sofre com uma economia estagnada na qual, “se nada for feito não reelege o presidente”. Thomas explica ainda as principais estratégias do bolsonarismo para a corrida eleitoral. Duas já estão em andamento: a “tática de jogar com os seus” - a exemplo do aumento concedido a policiais federais em detrimento a todos os outros funcionários públicos - e a “narrativa dos problemas de saúde decorrentes da facada”. O movimento mais importante, no entanto, deve ocorrer durante a campanha formal ao Planalto: Thomas explica que a “pergunta clássica” em casos de reeleição é se o presidente merece mais 4 anos. “Assim, ele não se reelege. Mas vai tentar mudar a pergunta: o PT merece voltar?”

Jan 5, 2022 • 24min
Vacina: direito das crianças
Nicolas Rodrigues dos Santos, de 9 anos, começou a se sentir mal ainda no início de dezembro. Depois de um vai-e-volta nos hospitais de Astorga, interior do Paraná, foi internado com apendicite e veio a confirmação de Covid-19. Um dia depois do Natal – para qual sua avó já comprara uma bicicleta para presenteá-lo – ele se tornou uma das mais de 500 crianças mortas durante a pandemia no Brasil. “Foi por causa da Covid que ele faleceu”, lamenta Marta Cristina Machado, avó do garoto. “Estava esperando ter a vacina para ele tomar, mas não deu tempo”. Embora a Anvisa já tenha anunciado a decisão de liberar doses da Pfizer para 35 milhões de crianças entre 5 e 11 anos (em uma versão com dosagem diferente da usada em adultos) em 16 de dezembro, o Ministério da Saúde ainda não deu o aval para a imunização em massa. Neste episódio, em entrevista a Natuza Nery, o médico e advogado Daniel Dourado explica a diferença nas atribuições da Anvisa - quem “reconhece a vacina como válida para ser usada no Brasil” - e do Ministério da Saúde - quem “define política pública, caso da vacinação em si no SUS, na esfera federal”. Ele analisa o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente sobre o dever do Estado brasileiro de garantir a imunização e a obrigação de pais e responsáveis em levar menores de idade para a vacinação. O pesquisador do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da USP ainda avalia o passo a passo das decisões tomadas pela pasta comandada por Marcelo Queiroga: desde a lentidão no pedido de novas doses para a Pfizer até a consulta pública com “perguntas mal elaboradas e amostragem que não temos como considerar”. “É uma maneira de fazer aceno para sua base antivacina e ao mesmo tempo ganhar tempo”, resume.

Jan 4, 2022 • 21min
Covid a bordo: cruzeiros suspensos no país
Depois de quase dois anos, foram liberadas as primeiras viagens de cruzeiro no Brasil. Milhares de turistas embarcaram atrás de dias de descanso e lazer, mas acabaram presos dentro de cabines. Um deles é o empresário Maxwell Rodrigues, apresentador do programa Porto 360 Graus, da TV Tribuna, afiliada da Globo em Santos. Em entrevista a Natuza Nery, ele relata as falhas de comunicação a bordo do navio Costa Diadema: desde a falta de contato após a realização do teste de Covid até o “silêncio ensurdecedor” sobre as informações de casos confirmados entre tripulação e passageiros. Ele recorda também como, ao atracar na costa de Salvador, os turistas receberam a notícia de testes positivos de coronavírus no navio pela imprensa. “Depois do anúncio do lockdown, começou a correria em busca de comida”. Participa também deste episódio a pesquisadora em saúde Chrystina Barros, integrante do Grupo Técnico de Enfrentamento à Covid da UFRJ. É ela quem explica por que, mesmo no caso de as operadoras de turismo terem cumprido à risca os protocolos, não há como evitar novos casos dentro dos navios: “Não dá para conter, é uma realidade aumentada da sociedade”. E aponta que a ômicron e eventuais novas variantes tornam imprevisível o cenário para a volta dos cruzeiros – a partir da recomendação da Anvisa, a associação de empresas do setor interrompeu as atividades até dia 21 de janeiro.

Jan 3, 2022 • 30min
Os 100 anos da Semana de Arte Moderna
No palco principal do Teatro Municipal de São Paulo, em 13 de fevereiro de 1922, o escritor Graça Aranha abriu a Semana de Arte Moderna da seguinte forma: “Para muitos de vós, essa curiosa e sugestiva exposição que gloriosamente inauguramos hoje, é uma aglomeração de horrores”. Naqueles dias, artistas como Heitor Villas-Lobos, Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Anita Malfatti – a quem os especialistas creditam o mérito de ser a “primeira realmente modernista” do país – apresentaram composições, peças, quadros e poemas que seriam um “catalizador das várias iniciativas e direções da implementação da arte moderna no Brasil”, como define Luiz Armando Bagolin, um dos curadores da exposição Era Uma Vez o Moderno, em São Paulo. Em entrevista a Natuza Nery, o professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros da USP disseca os eventos históricos que culminaram no evento, cujo ”forte efeito de propaganda” foi fundamental para chamar a atenção ao movimento e impulsionar o modernismo no Brasil. Ele recorda como o Abaporu, mais célebre obra de Tarsila do Amaral, dá origem à antropofagia e como daí nasce o conflito que afastaria Mário de Andrade do núcleo duro do modernismo. “Mário foi o primeiro autor brasileiro a buscar entender antropologicamente o que é o ‘Brasil profundo’”, afirma. “Ele dizia que o Brasil não conhece o Brasil e que apenas assim se poderia conhecê-lo de verdade”. O desgaste entre o autor de Macunaíma com os demais modernistas, explica Bagolin, se intensifica sob o projeto ultranacionalista do Estado Novo, que “coopta o movimento” e mata aquilo que ele descreve como “dimensão utópica do modernismo”. Nos últimos 100 anos, sua herança passa pela construção da capital Brasília, assinada pelo mais célebre arquiteto modernista, Oscar Niemeyer, e pelo tropicalismo, que reforma a cultura nacional na música, cinema e teatro entre as décadas 1960 e 1970. Bagolin e Natuza resgatam ainda o balanço de Mario de Andrade sobre o modernismo. “Não adianta uma arte moderna em uma sociedade desigual”, cita o pesquisador. “E 100 anos depois, vivemos a mesma coisa: somos modernos, mas ainda temos irmãos que não conseguem comer”.

Dec 31, 2021 • 24min
REPRISE: Em busca das árvores gigantes da Amazônia
Elas se erguem muito acima da média do dossel da floresta. Como conseguem crescer tanto e não quebrar é algo que sempre intrigou estudiosos. Em outubro, quatro guias e quatro engenheiros florestais partiram da pequena Cupixi, na região central do Estado do Amapá, e se embrenharam durante três dias no rio e na mata com o objetivo de chegar à segunda mais alta já identificada pelos radares do Inpe: um angelim vermelho de 85 metros, marca que o faz superar um prédio de 30 andares ou duas vezes a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Concluída a expedição – na qual equipe de cientistas captou áudios especialmente para o episódio do podcast que O Assunto reprisa neste 31 de dezembro – o professor Diego Armando Silva conversou com Renata Lo Prete a respeito da importância do projeto que coordena. "As árvores gigantes são as mães da floresta", diz. “Além de resistir ao vento, à luz e às tempestades, elas precisam sustentar o próprio peso". A observação de perto, o inventário e a coleta de informações nos ensinam não apenas sobre elas, mas sobre “a estrutura da floresta”. E ele não tem dúvida: ainda há muitas gigantes por mapear e conhecer na Amazônia.

Dec 30, 2021 • 25min
REPRISE: Brasileiros sem documento - os verdadeiros invisíveis
Segundo o último dado oficial disponível, são cerca de 3 milhões de pessoas que, como Maria Helena Ferreira da Silva, chegam à vida adulta (e eventualmente à idade avançada) sem certidão de nascimento: um problema nacional que foi tema da redação do Enem neste ano e do episódio que O Assunto reprisa neste 30 de dezembro. No caso da agricultora de 70 anos, que vive no interior do Paraná, a carência virou barreira na hora de se vacinar contra a Covid-19. No posto, recomendaram-lhe que se conformasse em ficar sem o imunizante, “porque o governo nem sabia que eu existia”. Ela só veio a receber a primeira dose meses depois, por ação da Defensoria Pública, e agora está perto de conseguir a tão sonhada certidão de nascimento. “A gente fica envergonhado, né?” O relato feito por Maria Helena ao podcast introduziu a conversa entre Renata Lo Prete com Fernanda da Escóssia, autora do livro "Invisíveis - Uma Etnografia sobre Brasileiros sem Documento", fruto da tese de doutorado da jornalista na Fundação Getúlio Vargas. Ela explica o papel fundador desse registro e o efeito bola de neve que a ausência dele provoca: vai ficando mais difícil obter outros documentos e, com o passar dos anos, limitações muitos concretas se apresentam, notadamente no acesso aos serviços públicos de educação e saúde. Editora na revista Piauí, com longas passagens pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, Fernanda se interessa há quase duas décadas por um fenômeno que descreve como “transversal”, porque ligado a múltiplos fatores, como miséria e desestruturação familiar. Em sua pesquisa e nesta entrevista, ela conta histórias de pessoas que conheceu no momento em que buscavam o registro de nascimento e reencontrou tempos depois -- quando haviam resgatado direitos, cidadania e às vezes o próprio "fio da vida".


