

Deu Tilt
UOL
Podcast sobre tecnologia para os humanos por trás das máquinas.
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Dec 16, 2025 • 54min
OpenAI é Banco Master da IA?; IA para detectar câncer; Google, o fogo amigo contra Nvidia
A OpenAI está no meio de uma ciranda bilionária para continuar existindo. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam os números que dimensionam a situação complexa da empresa que é a sensação da inteligência artificial. Segundo estudo do time de tecnologia e semicondutores do HSBC, a dona do ChatGPT ficará sem lucro até 2030 e precisará de US$ 207 bilhões para bancar infraestrutura, data centers, energia, água, profissionais e compromissos assumidos com big techs como Microsoft e Amazon. A receita até cresce, mas isso não significa lucro –principalmente quando cada novo modelo custa ainda mais que os anteriores. O Sora 2, por exemplo, só aumentou o tamanho do rombo. Para o HSBC, há caminhos para a empresa fechar as contas, mas todos tortuosos: dobrar a base de assinantes pagos, entrar pesado na publicidade digital e descobrir formas mais eficientes de usar IA. E a mais complexa delas: para empatar, a OpenAI teria de convencer 44% da população mundial a pagar por seus serviços até 2030, número que nenhuma rede social ou app alcançou até hoje. Se parece absurdo, lembra um pouco o caso do Banco Master: uma montanha de promessas e um buraco ainda maior.
Uma startup brasileira criou uma IA capaz de identificar indícios iniciais de câncer de intestino usando apenas um exame de sangue. Em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, a CTO da Huna Daniella Castro explicou que a pesquisa da Huna começou pelo câncer de mama e avançou para o de intestino –ambos alguns dos mais comuns no Brasil. Daniela ressalta que o desafio para o desenvolvimento da IA da Huna vai além da tecnologia: acessar dados de qualidade é fragmentado e contar com informações interoperáveis. Ela menciona estes pontos, porque o segredo da Huna é justamente o método criado para ensinar seu modelo de IA a encontrar sinais de câncer: primeiro, a equipe analisou resultados de colonoscopias e dividiu os pacientes em dois grupos (pessoas sem rastros de câncer e pessoas com lesões precursoras ou com tumor já instalado); depois, usou a IA para comparar os hemogramas desses dois grupos e identificar padrões de alteração que antecedem o câncer. A executiva explica que a mesma abordagem pode ser usada para rastrear outras doenças complexas, como diabetes e falência renal, um campo enorme que a IA ainda está começando a explorar.
A vida da Nvidia não está nada fácil. Primeiro, foi proibida pelos EUA de vender chips para a China. Liberada, viu a China levantar barreiras. Agora, a empresa enfrenta fogo amigo dentro de casa: o Google entrou oficialmente no mercado de chips de inteligência artificial. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como o cenário aponta para uma reviravolta inevitável: o domínio absoluto da Nvidia está sob ameaça.

Dec 9, 2025 • 54min
O ‘novo momento DeepSeek’ e o dilema da IA: quem paga para robô ser treinado no Brasil?
Em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, foi taxativo: o Brasil caminha para ser o mais restritivo do mundo no treinamento de inteligência artificial, o que afetará o PIB do país. Segundo levantamento do think tank especializado em políticas públicas em tecnologia, o país pode perder R$ 21 bilhões se aprovar uma legislação que impeça IAs generativas de serem treinadas com obras protegidas por direitos autorais. O mesmo vale para inferências. Mas existem três caminhos, diz Ramos: liberar amplamente o uso do que está aberto na internet; criar um regime intermediário, com possibilidade de fazer pedidos de retirada de obras; adotar uma linha mais dura, em que nada é usado sem pagamento. Só que a internet é global, e as leis, nacionais, diz. Se o Brasil aprovar uma proposta mais restritiva, empresas podem simplesmente levar seus data centers para outros lugares. Ramos não esconde que a liberação de informações protegidas para treinar IA é algo que beneficia as big tech norte-americanas, como Google e Meta, mas diz que a disputa, no fim das contas, é entre grandes conglomerados empresariais: quem treina modelos de IA versus quem detém direitos autorais. E os produtores de conteúdo podem até se dar bem com a IA, já que, segundo a pesquisa Futuros Criativos, a nova tecnologia pode até reduzir os royalties das indústrias criativas, mas, por outro lado, tende a elevar sua produtividade.
Já Luca Schirru, advogado e consultor em direitos autorais, afirma que a regulação do uso de dados para o treinamento da IA depende de como, por quem e para quê eles estão sendo minerados. Há uma diferença entre a utilização de dados para pesquisas ou por instituições públicas e sem fins lucrativos e por grandes empresas de mercado, que geram lucro a partir desses dados ou oferecem obras que podem substituir o trabalho humano. Segundo ele, é possível combinar diferentes caminhos de remuneração pelo uso de dados e conteúdos criativos por grandes empresas, como autorizar certas formas de treinamento e, ao mesmo tempo, cobrar o pagamento apenas das big techs que lucram com a IA generativa. Startups, modelos abertos e projetos de pesquisa poderiam se beneficiar de modelos mais flexíveis. Schirru ressalta que ferramentas como a ProRata.AI já apontam para a possibilidade de identificar quais obras entraram no treinamento, criando uma base para modelos de remuneração mais transparentes. Para equilibrar os interesses, ele sugere mecanismos que vão além do licenciamento tradicional: taxas sobre receita, fundos para autores e veículos de imprensa, ou investimentos em capacitação. O objetivo é garantir sustentabilidade para quem cria, sem travar a inovação.
Do nada, a China lançou um app que ultrapassou o Gemini, o ChatGPT e até o DeepSeek em número de acessos. Em uma semana, o Qwen bateu 10 milhões de downloads. Ele é do Alibaba, que os brasileiros conhecem pelo AliExpress, mas que também tem uma das maiores infraestruturas de computação em nuvem do mundo. O Qwen começou como um modelo de IA aberto, usado por empresas que preferem aproveitar uma base em vez de gastar tempo e dinheiro na fase de pré-treinamento da IA. Agora virou chatbot e, com o app, o Alibaba decidiu se apresentar ao consumidor global como uma companhia AI first, no melhor estilo Google. E tem mais: a empresa também lançou o Quark, um assistente pessoal de IA combinado com navegador. A mensagem é clara: o Alibaba não quer só disputar mercado, mas tomar a liderança na corrida tecnológica.

Dec 2, 2025 • 52min
Giselle Beiguelman discute: arte com IA é arte? ‘Censura algorítmica’ e obsolescência desprogramada
Em entrevista a Deu Tilt, a artista visual, professora universitária e pesquisadora Giselle Beiguelman desmonta a ideia de que existe “arte criada pela máquina”. Para ela, o que chamamos de arte com IA é sempre arte com tecnologia, feita com a máquina, e não por ela. A grande novidade, inédita na história da arte, é que a tecnologia agora toma decisões durante o processo criativo. Nenhum artista controla 100% seus instrumentos, mas a IA interfere nos rumos da criação. Quando alguém pergunta se arte com IA “é arte”, Giselle responde olhando para o processo. O prompt não é só descrição; é uma experiência que tensiona os meios de produção. A IA muda o campo artístico ao mesmo tempo em que amplia e ameaça. Copiar ficou fácil, criar continua difícil. No lugar do desvio de padrão, que sempre foi motor da arte, o risco é ficarmos presos numa jaula cibernética onde tudo é retroalimentado pelos mesmos arquivos hegemônicos. Arquivos inexistentes podem ser apontados, mas referências que fogem do padrão podem desaparecer. O repertório coletivo corre o risco de se diluir. Para Giselle, o debate gira em torno da democratização do acesso à arte, mas também em torno de quem controla os meios para criar –afinal, os melhores recursos já são pagos. A cultura do padrão reforça repertórios hegemônicos, e os maiores problemas da IA continuam sendo humanos: a reprodução de nossos vieses e modelos culturais.

Nov 25, 2025 • 52min
Veo 3 x Sora 2; IA derruba a produtividade; Grokipedia, a Wikipédia do Musk; As startups da fé
Neste programa, os hosts debatem a batalha entre Veo 3 e Sora 2, ferramentas de IA que criam vídeos hiper-realistas. Eles exploram os perigos dos deepfakes, citando casos de Martin Luther King e Bryan Cranston. Em seguida, analisam a promessa não cumprida da IA em aumentar a produtividade nas empresas, destacando o problema do 'work slop'. Por último, discutem a Grokipedia, uma enciclopédia de Musk, com viés e entradas polêmicas, além de como startups religiosas usam IA para aconselhamento e práticas espirituais.

Nov 19, 2025 • 2min
Novo podcast "Estrelas da Capa: As Histórias da Playboy" | Teaser
A Playboy brasileira esteve no centro de debates sobre fama, desejo, moral, mercado editorial e transformação social. Em “Estrelas da Capa: As Histórias da Playboy”, os jornalistas Adriana Negreiros e Juca Kfouri resgatam memórias dos cinquenta anos desde que a revista foi lançada para entender o que ela dizia – e ainda diz – sobre o Brasil. A série mergulha nos bastidores da redação, nas negociações com as modelos de capa, no jornalismo ousado e nos códigos culturais que moldaram a publicação. Com depoimentos inéditos de editores e produtores, fotógrafos renomados como J.R. Duran e Bob Wolfenson, e entrevistas com as próprias estrelas — como Adriane Galisteu, Maitê Proença e Claudia Raia —, a série reconstrói a trajetória da revista e dá a resposta à questão acerca de como a Playboy, mesmo tendo sido encerrada em 2017, continua a moldar o imaginário brasileiro no que diz respeito à fama, desejo, poder e mídia.
Estreia dia 24 de novembro no Spotify e em todas as plataformas do UOL.

Nov 18, 2025 • 55min
Atlas x Comet; Uber faz motorista treinar IA; O segredo de Veo3 e Sora2; Pegadinhas de IA
Atlas ou Comet? Quem vence a batalha dos novos navegadores de IA? O Atlas, da OpenAI, é basicamente um navegador turbinado com recursos de inteligência artificial, uma estratégia da dona do ChatGPT para bater de frente com o Google Chrome, que domina mais de 70% do mercado. Já o Comet é uma aposta menor, mas ousada da Perplexity –a companhia chegou a fazer proposta de compra pelo Chrome. Para descobrir qual dos dois browsers se saem melhor, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz colocaram um contra o outro nessa batalha pelo futuro da internet no novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas.
A Uber criou uma nova modalidade de trabalho: e, se em vez de apenas dirigir, os motoristas também treinassem inteligências artificiais? Enquanto estão parados, eles fariam microtarefas, pequenos trabalhos para ensinar robôs sobre o nosso mundo. Ainda é um teste e só funciona em alguns países. Mas o argumento é sedutor: oferecer renda extra. Na prática, o objetivo é para lá de estratégico: a Uber está de olho no promissor mercado de rotulagem de dados para treinar modelos de IA. O negócio já existe, tanto que a plataforma mais popular é o Mechanical Turk, da Amazon e o termo “microtarefa” é de 2008. Hoje, porém, diversas pessoas dependem exclusivamente dessas plataformas. As tarefas variam: rotular mensagens, tirar fotos de situações específicas, descrever imagens, gravar algumas palavras. Como o pagamento é baixo, os trabalhadores passam horas diante da tela, da mesma forma que os profissionais da Uber passam horas dirigindo. Em que momento, os motoristas encontrarão tempo para as microtarefas?
O que não nos contam sobre Veo3, do Google, e Sora2, da OpenAI, as mais avançadas IAs de vídeo? Ficamos hipnotizados pela qualidade do resultado dos vídeos gerados por essas ferramentas, mas não sabemos que a IA está, na verdade, aprendendo sobre o nosso mundo. Vamos do começo: a IA possui uma grande grande limitação. Veja os chatbots: seus modelos de linguagem aprenderam a conversar a partir de textos, mas nunca experimentaram nada no mundo do que é descrito apenas em palavras. Para criar vídeos, essa falha ficaria evidente. Mas os desenvolvedores criaram uma alternativa: uma espécie de visão de máquina, permitindo que a IA “leia” o mundo. Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz conversam sobre como estamos ensinando, sem querer, Veo3 e Sora2 a aprender como nosso mundo funciona: leis da física, comportamento das coisas, propriedades dos materiais. O que vai surgir da junção entre modelos de linguagem e IAs que experimentam o mundo ainda é imprevisível. Talvez robôs que agem sozinhos?
Encanadores bombadões, faxineiras gatas ou mendigos aparecem em casa. O susto de quem deixou uma criança sozinha ou de um marido ou esposa ciumentos é imediato. A inteligência artificial elevou o nível das pegadinhas na internet, com vídeos hiperrealistas que deixariam o saudoso Ivo Holanda no chinelo. Era para ser só uma trolagem envolvendo traição ou invasão de domicílio. Mas têm provocado impacto concreto à medida que a polícia tem sido acionada para resolver chamados. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam como as pegadinhas com IA miraram nas gracinhas de casal, mas acertaram na discussão sobre a morte do “ver para crer”. Talvez antes mesmo de qualquer futuro distópico em que máquinas dominam seres humanos, vamos encarar outro colapso: e se a IA nos impedir de compreender o que é a realidade?

Nov 11, 2025 • 55min
Gov.br: os bastidores do app que deixa NFL e WhatsApp para trás
O gov.br já é o maior balcão digital do país e um dos maiores do mundo. São cerca de 5 mil serviços públicos disponíveis sem sair de casa: dá pra pedir aposentadoria, consultar o histórico de vacinação, assinar documentos e até fazer prova de vida com validade legal. É o que conta Rogério Mascarenhas, secretário de Governo Digital do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas. Tudo isso num sistema que hoje reúne 170 milhões de brasileiros cadastrados. Os picos de acesso impressionam ainda mais: 130 milhões de pessoas conectadas ao mesmo tempo para o Enem, a declaração de imposto de renda e a renegociação de dívidas. É mais do que a audiência do Super Bowl, o evento na TV mais assistido do planeta.
O gov.br já é a ferramenta que conecta os principais serviços federais, mas uma das prioridades é a integração com estados e municípios, diz Rogério Mascarenhas, secretário de Governo Digital do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, a Deu Tilt. Essa, porém, é a conexão na esfera pública. Levar o gov.br para o mundo dos bancos e outras instituições privadas não está descartada. Mascarenhas destacou também o Balcão gov.br, parceria com prefeituras e empresas públicas como os Correios para ajudar pessoas sem familiaridade digital a usar a plataforma. A ideia é fazer o governo digital chegar a todos. A integração fica ainda mais poderosa com a nova carteira de identidade, o “Novo RG”, conectada ao gov.br para permitir personalização e identificação mais precisa, além de abrir caminho para recursos como confirmação etária, um dos pilares do ECA Digital. Outro avanço vem da parceria com CPQD, MCTI e Finep, que vai usar inteligência artificial para melhorar os chatbots e o suporte aos cidadãos, inclusive com fala regionalizada.
Muita gente pergunta: ‘se a Amazon cair, o gov.br cai junto?’ A resposta é ‘não’, diz o secretário de Governo Digital do MGI, Rogério Mascarenhas, em entrevista a Deu Tilt. Apesar de usar infraestrutura das big techs, o sistema é desenhado para ter diversidade de provedores e camadas de segurança. Isso garante que o serviço continue no ar mesmo em casos de falha. Essa estrutura é parte da ideia de soberania digital: manter as decisões e os dados sob controle do Estado, sem depender de uma única empresa. Os ciberataques são inevitáveis, diz Mascarenhas, sobretudo à medida que o país se digitaliza. Mas o investimento pesado em segurança da informação garante protocolos de resposta rápida. Outra dúvida é se o gov.br armazena dados sensíveis, como os da saúde ou da previdência. A resposta também é “não". Cada conjunto de informações fica nas bases de seus próprios órgãos e só são integradas ao portal para uso específico. O secretário não esconde que o portal é alvo de fraudes, mas ele alerta que elas têm origem em práticas que todo usuário pode mudar.
O secretário de Governo Digital, Rogério Mascarenhas, contou no Deu Tilt que a integração do gov.br com o setor privado deve acontecer aos poucos, de forma segura e com base nas regras da Lei Geral de Proteção de Dados. Ele explicou que o uso de informações públicas por empresas vai depender de financiamento, já que o Estado não vai custear serviços privados com dados dos cidadãos. Isso significa que, à medida que o gov.br abre novos canais para o mundo corporativo, novas estruturas de segurança e controle terão de ser criadas. E nada será feito sem o consentimento explícito do usuário, conforme determina a LGPD. Mascarenhas reforçou que a digitalização não é só sobre conveniência, mas também sobre eficiência. O impacto já pode ser visto na redução das filas de atendimento do INSS: hoje, 90% dos serviços estão disponíveis online, via o Meu INSS integrado ao gov.br. A meta é levar essa agilidade também para outras áreas, como saúde, onde a digitalização pode ajudar a diminuir as filas do SUS.

Nov 4, 2025 • 51min
Idade certa para IA; China estuda na escola do Piauí; Lucrando com dados; China vem para guerra tech
Se adultos tentam entender como a IA funciona, a molecada já está até namorando com ela. Afinal, tem idade certa para usar IA? Esse é o assunto do novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, apresentado por Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz. Segundo uma pesquisa realizada nos EUA, 20% dos adolescentes já usaram a IA para relacionamentos românticos. E tem mais: um terço deles disse que usa a IA como companhia. No Brasil, o número também assusta: segundo o estudo TIC Kids, do NIC.br, 65% das pessoas de 9 a 17 anos já usam IA. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, os adeptos são 68%. E mais: até 4% das crianças de 9 a 10 anos usam a tecnologia para conversas emocionais. Longe de ser versões contemporâneas dos amigos imaginários, as plataformas são criadas para agradar, manipular e prender o usuário. O mundo tenta regulamentar o uso e o acesso das crianças à tecnologia: vários países discutem idades mínimas e proibições.
A China decidiu começar cedo: implantou neste ano a nova política nacional de educação em inteligência artificial para crianças a partir dos 6 anos. O objetivo não é formar um exército de programadores mirins, mas cidadãos críticos, capazes de entender como e quando usar a tecnologia. O aprendizado acontece de forma gradual. Ao longo dos anos, os alunos são introduzidos aos conceitos de IA até que, no ensino médio, passam a criar seus próprios modelos para resolver problemas do dia a dia. No entanto, essa ideia já está em prática no Brasil. Desde 2024, o programa Piauí Inteligência Artificial leva IA para as escolas estaduais piauienses, com uma metodologia adaptada até para locais com baixo acesso à tecnologia. As aulas combinam computadores com a boa e velha lousa. O programa tem dois focos principais: ensinar a pensar com IA, ou como interagir de forma crítica com as ferramentas, e pensar sobre IA, permitindo uma reflexão sobre as implicações éticas do uso da tecnologia.
Quem está ganhando dinheiro com seus dados? Todo mundo. Menos você. Mas uma startup chamada Drumwave, criada por um brasileiro que vive no Vale do Silício, promete mudar esse jogo. A ideia é simples e audaciosa: permitir que usuários ganhem dinheiro com os próprios dados, gerados a partir das interações com redes sociais, aplicativos e lojas de e-commerce. Só que aqui, o “dado” vai muito além do e-mail ou do CPF. A Drumwave quer transformar todas as suas informações em algo que tenha valor real. A proposta se apoia na LGPD, que já garante o direito de o usuário solicitar às plataformas o acesso aos próprios dados. A diferença é que, agora, isso pode virar um modelo de negócio. E não qualquer modelo, mas um que levanta questões éticas, econômicas e tecnológicas ainda sem respostas.
A relação entre China e Estados Unidos na área da tecnologia está cada vez mais tensa. Quando os EUA aumentaram tarifas, a China respondeu fechando a torneira da exportação das terras raras e, de quebra, também da tecnologia usada no processamento. Resultado: um xeque-mate que deixou o mundo inteiro em alerta e fez até Trump ameaçar novas tarifas. Agora, a China mexe também suas peças no tabuleiro corporativo. A Wingtech, empresa chinesa que comprou um braço da Philips e rebatizou como Nexperia, entrou no radar dos EUA. Washington proibiu a exportação de chips da Nexperia. A confusão chegou à Europa: a Justiça da Holanda afastou o CEO chinês e transferiu ações da Nexperia para o governo holandês. Em resposta, a China avisou que vai decidir o que pode ou não ser exportado pela Nexperia, um golpe que atinge montadoras e fabricantes de eletrônicos no mundo todo. A troca de fornecedores levaria de 6 a 9 meses. O jogo agora é de paciência e influência: os EUA tentam recrutar aliados, enquanto a China avança em território estratégico e mostra que quer disputar todas as bolas na partida global da tecnologia.

Oct 28, 2025 • 53min
Facundo Guerra: “Meu concorrente é a Meta, não o bar da esquina”
Apontado como um dos responsáveis pela revitalização da cena cultural e noturna de São Paulo, o empresário Facundo Guerra conta como começou a carreira em empresas de tecnologia, mas hoje a relação piorou muito. Em entrevista a Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, ele revela como não vê outros bares como rivais, pois seus grandes rivais são as big tech. Ele começou a lidar com internet ainda nos anos 1990, quando fazia pesquisas em engenharia de alimentos e usava BBS, um dos primeiros sistemas de troca de mensagens. Depois disso, trabalhou na AOL, uma das primeiras empresas de internet. De lá saiu para abrir sua primeira boate, já no início da década de 2000. Para Facundo, era uma época em que o físico e o digital ainda eram mundos separados, distinção que já não faz sentido. Hoje, porém, Facundo se define como “vassalo da Meta”: depende das redes para existir, mas vê as big techs como suas grandes inimigas, já que elas fazem de tudo para as pessoas não saírem de casa. O empresário critica o trabalho gratuito de produzir conteúdo para as plataformas, que toma até 30% do seu tempo. “É como criar no escuro”, diz, porque os algoritmos são uma caixa-preta e tiram das pessoas a própria autonomia. Por isso, acredita que os negócios precisam oferecer experiências que vão muito além do produto.
Facundo Guerra acredita que a inteligência artificial muda completamente o jogo do empreendedorismo. Não necessariamente para melhor. Ele afirma que, com pouco investimento, qualquer pessoa já tem acesso ao mesmo ferramental de uma multinacional. Isso encurta o tempo de criação e torna o lucro uma meta ainda mais imediata. “Tudo o que antes precisava de uma equipe, agora pode ser feito por uma IA.” O preocupante vem depois: “se tudo for automatizado, quem vai consumir?”. Ele reconhece que, como empregador, já adota IA para reduzir custos: “já deixei de contratar designers, porque a IA fez o trabalho”. Ainda assim, ele lamenta o impacto social que está por vir. Facundo acredita que o uso indiscriminado da IA mata a alma de um negócio, já que as máquinas não são capazes de imprimir a personalidade de quem está por trás das ideias.
A inteligência artificial é uma aliada dos pequenos empreendedores, diz o empresário Facundo Guerra. Para ele, ferramentas como o ChatGPT ou o Perplexity já funcionam como consultores completos, capazes de revisar contratos, analisar planilhas e apontar o que deve ser feito para melhorar o negócio no mês seguinte. Em contrapartida, o empresário critica o mundo das aparências e o foco em estética em detrimento da consistência. “Bonito e quebrado é mais comum que o feio sustentável”, provoca. A decepção entre expectativa e realidade, para ele, é o que mais mata negócios. Sobre o futuro do trabalho? Facundo não é otimista. “Quem está empregado precisa começar a pensar num mundo sem emprego”, alerta. E completa: “Empreender é muito trabalho e zero garantia. Eu não recomendo para qualquer pessoa.”
Facundo Guerra questiona a narrativa romântica em torno do empreendedorismo. Para ele, a ideia de “unicórnio de si mesmo”, ou o mito de que qualquer pessoa pode se tornar uma startup bilionária, é enganosa e exaustiva. “Empreender é o caminho entre a faísca e o negócio lucrativo. Mas ninguém fala o quanto isso é desgastante. É mais difícil que correr uma maratona”, diz. Ele critica o discurso motivacional que vende o empreendedorismo como libertador. “Nos contaram uma mentira. Zuckerberg e Elon Musk não são exemplos de self made men. Eles são herdeiros, nasceram com privilégios”, afirma. Segundo Facundo, a figura do empreendedor genial que começa na garagem não existe, e não representa a realidade brasileira. No Brasil, diz ele, empreender não é uma escolha glamourosa, mas uma necessidade. “A verdadeira empreendedora é a mãe solo que vende bolo de pote na periferia.”

Oct 21, 2025 • 51min
IA nos investimentos; US$ 1 tri da OpenAI; ChatGPT x Android; IA do Facebook escolherá seu novo amor
Cerca de 13% das pessoas que investem já usam ferramentas genéricas de inteligência artificial. Mas essa não é a primeira vez que a tecnologia muda o mercado financeiro. Lá atrás, os primeiros computadores já tinham transformado as operações. Depois veio a internet, que abriu espaço para que qualquer pessoa investisse de casa, os famosos home brokers. Agora, entramos numa nova fase. A IA é capaz de analisar dados, dar dicas e até sugerir onde investir. O mercado de consultoria robótica já movimenta mais de 61 bilhões de dólares, e deve crescer até seis vezes nos próximos anos. Mas nem tudo são flores, ou rendimentos. Especialistas alertam: há uma diferença enorme entre um analista experiente que usa o ChatGPT como copiloto e alguém totalmente leigo pedindo para a IA escolher ações. As ferramentas podem ser boas fontes para organizar informações e gerar insights, mas não devem ser vistas como oráculos financeiros. Elas não preveem o futuro, e o ideal é usá-las para entender o mercado, não para tentar adivinhar resultados. No meio dessa onda, ainda surgiram muitas empresas dizendo usar inteligência artificial em seus produtos... mas sem usar de verdade. É o chamado AI washing: vender a ideia de um serviço inteligente só para surfar na hype da IA.
Há tanto investimento em inteligência artificial que, às vezes, as notícias parecem sempre as mesmas. E no centro de tudo, quase sempre, está a OpenAI. O volume das negociações já ultrapassa 1 trilhão de dólares, quase metade do PIB do Brasil, que gira em torno de 2,2 trilhões. É tanto dinheiro circulando que a linha entre parceria e concorrência ficou difusa. A OpenAI, por exemplo, uma hora é cliente, outra fornecedora, depois parceira das mesmas empresas com as quais compete. Está ao mesmo tempo em negócios com a Nvidia, Oracle, AMD e Broadcom. Enquanto isso, a Nvidia anuncia acordo com a Intel, e a Meta fecha parceria com o Google e a Corewave. O dinheiro vai e volta num ciclo quase hipnótico: uma empresa financia a outra, que reinveste na concorrente, e tudo se retroalimenta. Esse vai e vem preocupa o mercado, porque uma depende da outra para sustentar negócios bilionários. Mas pra isso se manter, a IA precisa entregar o retorno prometido, e ainda não está claro se isso vai acontecer. Algumas empresas já estão freando o uso da tecnologia ou descobrindo que ela não é necessária em tantos projetos quanto parecia. A inteligência artificial é o motor da economia americana hoje, mas só o tempo vai dizer se estamos vendo uma revolução ou o crescimento de uma bolha.
A OpenAI anunciou uma nova integração do ChatGPT com outros aplicativos e chamou a novidade de “conversando com apps”, uma forma de mostrar que a ferramenta agora quer falar com o mundo lá fora. Um dos exemplos mais práticos dessa integração é o Spotify: o usuário pede uma playlist dentro do ChatGPT e a IA cria e salva direto na conta dele no app de música. Mas a estratégia da OpenAI vai muito além disso, e revela a verdadeira disputa da vez. A corrida entre as big techs de inteligência artificial já não é por quem tem o modelo mais poderoso, e sim por quem vai conseguir criar o ecossistema mais completo, aquele que mantém o usuário dentro da sua plataforma. O sonho da OpenAI é se transformar num sistema operacional da inteligência artificial, atraindo desenvolvedores para criar produtos voltados diretamente às pessoas. Enquanto isso, o Gemini, do Google, segue outro caminho e aposta nas empresas. A OpenAI, por outro lado, mira no público final. Quer estar na sua rotina, no seu celular e, de preferência, em todas as suas conversas..


