

A Beleza das Pequenas Coisas
Expresso
Conversas conduzidas por Bernardo Mendonça com as mais variadas personagens que contam histórias maiores do que a vida. Ou tão simples como ela pode ser
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Mar 8, 2024 • 1h 6min
Diana Niepce (parte 1): “Não me coloquem no papel da vítima ou da heroína, como num ‘meme’ inspiracional do Instagram. As pessoas com deficiência não existem para inspirar os corpos normativos com histórias de superação”
Diana Niepce é bailarina, coreógrafa e escritora e anda há uma vida a desafiar os limites do corpo e a cruzar os caminhos da arte e da vida. Em 2014 foi forçada a reinventar-se quando a meio de um ensaio sofreu uma aparatosa queda de um trapézio que a deixou tetraplégica. Desde aí, Diana Niepce tem questionado o preconceito dos outros sobre os corpos com deficiência, ou fora da norma, voltou aos palcos com novas possibilidades artísticas e, através das suas obras, tem desmistificado o que é isso de um corpo frágil ou forte e afirmado a virtude da diferença. Nesse movimento, em 2022 foi premiada pela SPA com a peça “Anda, Diana”, e este mês estreou o ciclo “Corpos Políticos”, com curadoria sua, que vai até 16 de março, na Culturgest, em Lisboa. Nesta primeira parte Diana é surpreendida com um testemunho do encenador e dramaturgo Rui Catalão, assim como da fundadora e diretora executiva da associação “Acesso Cultura”, Maria Vlachou, que acrescentam novos ingredientes e olhares sobre Diana e lhe deixam perguntas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 8, 2024 • 38min
Diana Niepce (parte 2): “O estranhamento e a imperfeição são deslumbrantes. Sermos diferentes não é um defeito. Continuemos a lutar por uma democracia que não é uma visão única, com valores que não são opiniões subjetivas”
Na segunda parte deste episódio, Diana Niepce abre o livro “Anda, Diana”, um diário de auto-ficção onde narra de forma crua e íntima, e com um humor bastante mordaz, o que passou nos tempos que se seguiram ao seu acidente de 2014. E, ao afirmar-se como um “corpo político”, revela o que espera destas legislativas de 10 de março e o que importa lembrar, melhorar e celebrar nestes 50 anos da nossa democracia. Diana partilha ainda as músicas que a acompanham na vida, na dança ou no duche, e fala de amor, sexo e humor. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 1, 2024 • 1h 20min
Alexandra Lucas Coelho (parte 1): “O espelho está voltado para Israel. Como podem os descendentes dos judeus de Auschwitz transformar Gaza num campo de extermínio?”
Alexandra Lucas Coelho anda há mais de duas décadas a decifrar os conflitos e guerras no Médio Oriente, uma região que voltou a estar nas bocas do mundo desde o dramático ataque do Hamas, no sul de Israel, a 7 de outubro de 2023. Autora de 14 livros, e com vários prémios de jornalismo e literatura, escreve contra todo o tipo de fronteiras, contra as opressões, contra a ideia do “nós e os outros”. E para ajudar a explicar o que originou a tragédia humanitária sem precedentes que se vive atualmente em Gaza e que já matou 30.000 palestinianos, a escritora lançou este mês uma nova edição revista do seu primeiro livro, “Oriente Próximo”, obra de não ficção sobre Israel e a Palestina, situada entre 2005 e 2007. Alexandra destinou os direitos de autor deste livro para Gaza. E aqui descreve o cenário perturbador que viu e testemunhou na reportagem que fez há pouco tempo na Cisjordânia Ocupada e Jerusalém e o relato duro do amigo W que está em Gaza. Nesta primeira parte pode ainda ouvir-se o testemunho da palestiniana Shahd Wadi, doutorada em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, e do editor e fundador da Caminho, Zeferino Coelho, que deixa uma pergunta a Alexandra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 1, 2024 • 1h 1min
Alexandra Lucas Coelho (parte 2): “Escrevo contra todo o tipo de fronteiras. Viver é uma luta de libertação. Somos todos florestas densas e vastas e tantas vezes vêem em nós apenas uma árvore”
Na segunda parte deste podcast, Alexandra responde ao seu editor Zeferino Coelho, fala sobre os seus romances, que são de um género sem género, e como para si escrever e viver “é uma luta de libertação”. A escritora assume que não lhe interessa ir ao encontro do que os outros esperam dela. “Quando respondermos às expectativas dos outros estaremos a fazer o nosso pior trabalho. Só há uma vida. E é sagrada. E deve ser vivida em toda a liberdade. Não fiquem presos às expectativas de ninguém. As florestas são vastas e densas. E preciosas são as pessoas que não só não esperam de nós o que fizemos e veem em nós o que ainda não fizemos e não vimos.” Alexandra dá-nos a ouvir algumas das músicas que acompanham este seu “Oriente Próximo”, lê um poema poderoso de Uri Orlev, poeta judeu sobrevivente do Holocausto - dá-nos conta de uma inexplicável coincidência de datas que se apercebeu no carro a caminho desta entrevista que passou a dar outros ecos à poesia de Uri - e ainda lê um excerto da sua autoria sobre uma festa de hip hop num cenário de ataques e bombas. E agora que se celebram os 50 anos do 25 de Abril, e nos aproximamos das votações legislativas, Alexandra revela o que mais admira nesta nova geração, que não encontrou na sua, o que espera do novo governo, o que deseja para o país e o que importa celebrar, recordar e melhorar na nossa democracia. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 12, 2024 • 55min
Episódio especial com Lela, a madame das noites picantes de um dos mais antigos bares de alterne lisboetas: "Esta vida é um romance"
Neste episódio especial vamos recuar ainda mais no tempo, aos primórdios deste podcast, mais precisamente a junho de 2016 quando entrámos no mais antigo bar de alterne lisboeta, o Piri-Piri, dispostos a deixar os preconceitos à porta - ou pelo menos tentar - para entrevistar Maria Amélia, por todos chamada de Lela, a dona daquele lugar boémio que há 81 anos conta parte da história da capital. Um bar que serviu durante décadas companhia, marotice, mas “não sexo”, como Lela fez questão de frisar nesta conversa, porque o seu negócio sempre foi o da bebida. Neste podcast, a ‘madame’ desconstrói algumas ideias feitas sobre espaços como este e, no caso dela, garante ter sido sempre mulher de um homem só. Diz que o melhor do seu dia é chegar a casa e ter um jantar feito pelo seu marido, regado com um bom vinho branco gelado. Monogamias e romantismos aparte, Lela juntou ao cocktail desta conversa uma boa dose de malícia e humor, sem falsos moralismos, ao revelar o jogo da casa e as manhas e os segredos desta pequena barca do prazer, com vocação de confessionário, situada no número 61 da Rua da Glória, junto à Praça da Alegria, onde o inferno é estar só. Atualmente com 65 anos, Lela continua a orgulhar-se de ser “a madame das noites picantes” ou “a cigana da praça da alegria”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 5, 2024 • 33min
Episódio ao vivo com Márcia e Susana Peralta: “Temos recursos infinitos dentro de nós, há coisas que as máquinas nunca vão conseguir fazer melhor do que os humanos”
Susana Peralta e Márcia foram as convidadas de Bernardo Mendonça neste episódio d' A Beleza das Pequenas Coisas especial ao vivo no Festival de Podcasts Expresso by Hyundai. O ano que agora começa traz imensos desafios à democracia e as duas convidadas traçam os seus desejos para o ano novo, analisam a situação atual e tecem comentários sobre a Inteligência ArtificialSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 29, 2023 • 2h 27min
Especial Fim de Ano com Lídia Jorge: “Os escritores olham para a realidade de olhos fechados a procurar a alma do mundo. Somos como fósforos, ardemos no escuro. Somos testemunhas do tempo”
Durante dois anos a prestigiada escritora Lídia Jorge escreveu um romance que partiu de um pedido da sua mãe, pouco antes de morrer. Confinada num lar de idosos, pediu que a obra se chamasse “Misericórdia” para que as pessoas se tratassem com mais humanidade e empatia. Lídia acedeu ao pedido e escreveu o seu livro mais íntimo, uma exaltação da vida, da curiosidade, da sabedoria mesmo quando a morte espreita. Uma obra que acaba de ser distinguida com o Prémio Médicis Étranger, em ex-aequo com o romance "Impossibles Adieux", da sul-coreana Han Kang. Nesta edição especial, relançamos a conversa com Lídia Jorge, realizada em outubro de 2022 para este podcast, que viaja na memória até à infância da escritora, aos tempos vividos em África onde teve o seu filho, até à crise atual no país, sobre a qual afirmou: “É errado um discurso triunfalista dos números quando as pessoas estão a sofrer muito. Há um contraste entre aquilo que é o discurso político e a vida das pessoas.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 22, 2023 • 2h 18min
Especial Natal com Siza Vieira: "O sentido da vida é navegar no meio dos escolhos e planícies onde nos deslocamos. Está-me sempre a faltar tempo. O trabalho não me salva da melancolia, mas ajuda-me muito"
É uma das maiores figuras da arquitetura mundial e um dos mais premiados de sempre. Há 31 anos, Álvaro Siza Vieira foi o primeiro arquiteto português a receber um Pritzker - considerado o Nobel da arquitetura. Pode mesmo dizer-se que Siza reescreveu a história da arquitetura projetando-a para o futuro. Nesta edição especial, republicamos esta grande entrevista feita a Siza Vieira neste podcast em junho de 2022, onde faz um balanço do percurso, critica o “estado de agonia” da profissão e lamenta não ter mais trabalho e não estar a deixar mais obra relevante no país. E deixa uma crítica ao sistema, à mentalidade do “quem dá menos“ e do “para quem é bacalhau basta“, e afirma: “Acha-se que um arquiteto só serve para o capricho de quem tem dinheiro. Acredito na habitação social com qualidade para todos.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 15, 2023 • 1h 16min
Tânia Graça (parte 1): “A minha luta pela liberdade das mulheres vem da falta dela. Os meus primeiros anos não foram bons. Mas vejo cor na cinza. É uma ferida que fiz florir”
Ela é uma das vozes mais interessantes da nova geração a falar no espaço público de sexualidade, relações, feminismo interseccional, masculinidade tóxica, identidade de género, orientações, desejos, educação e liberdade. Durante a pandemia tornou-se conhecida no instagram por encorajar as mulheres a explorar o seu corpo e a viver as relações e a sexualidade de forma saudável e prazerosa, sem preconceitos."O orgasmo feminino é um ato político porque quando nos masturbamos, mostramos que fazemos o que quisermos com o nosso corpo, é uma retomada da sua posse.” Atualmente a sexóloga Tânia Graça faz dupla com Ana Markl no programa “Voz de Cama”, da Antena 3, que saltou para o palco do Teatro Maria Matos, numa série de conversas ao vivo com sala cheia. Questões sobre sexualidade e relações não faltam. E, no final da primeira parte, Tânia é surpreendida por um áudio de Ana Markl, que deixa uma pergunta bem interessante...See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 15, 2023 • 1h 1min
Tânia Graça (parte 2): "Mulheres vocais, que trabalham muito, de sucesso, podem ter ao seu lado homens igualmente incríveis. Tenho neste momento comigo não só alguém que me aceita, mas que me celebra"
No ínicio desta segunda parte, Tânia começa por falar da amizade relâmpago com Ana Markl, com quem faz dupla no programa “Voz de Cama”, na Antena 3, das cumplicidades criadas, e da aprendizagem mútua, experiência em antena e nos espetáculos ao vivo. E responde à pergunta de Ana em relação a certos medos futuros sobre a “masculinidade tóxica”. E qual a tolerância que Tânia tem com amigos que têm comportamentos ou comentários machistas e misóginos? A sexóloga responde e dá exemplos. E revela mais sobre a sua intimidade e o passado difícil que explica em boa parte a razão de ser das suas lutas e causas. E há ainda espaço para a música que a acompanha e para revelar alguns dos seus maiores desejos ...See omnystudio.com/listener for privacy information.


