Perguntar Não Ofende

Daniel Oliveira
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Nov 27, 2023 • 1h 31min

Diretas no PS com Pedro Nuno Santos

Saiu do governo há menos de um ano por causa do episódio da indeminização a Alexandra Reis. Não desejava seguramente este calendário, que lhe roubou tempo à travessia no deserto, com lugar na televisão, que lhe permitiria preparar a sua candidatura e deixar para mais distante os episódios que levaram à sua demissão. Mas em política não se fazem planos, apesar de há muito tempo planear este caminho. Pedro Nuno Santos foi um dos principais obreiros dos entendimentos à esquerda, ocupando o lugar central da secretaria de Estado dos assuntos parlamentares, onde se fazia negociação com o Bloco e o PCP, tendo-lhe sido atribuído o talento negocial de manter uma geringonça de pé. Foi catapultado para o Ministério das Infraestruturas onde o esperava um presente envenenado, dificultado pela relação tensa que foi mantendo com António Costa. Ouça aqui a entrevista ao outro candidato, José Luís Carneiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Oct 31, 2023 • 1h 35min

Hugo Mendes e Frederico Pinheiro: o que correu mal na TAP?

Hugo Mendes e Frederico Pinheiro escreveram um livro conjunto sobre a viagem mais turbulenta da TAP. No livro editado pela Zigurate, citam Oscar Wilde: “Nunca expliques. Os teus amigos não precisam disso e os teus inimigos, seja como for, não acreditarão em ti.” No entanto, querem explicar a amigos e inimigos o que aconteceu nestes meses e porquê. Tentaremos perceber porquê. O nome do livro, “Patos desalinhados não voam”, nasce da ideia de que para uma política correr bem tem de alinhar um conjunto de elementos, a que carinhosamente chama patos, para que levantem voo. A definição do problema, a informação empírica sobre o problema; a narrativa do problema; os aliados para o resolver; e as medidas tomadas. Segundo os dois autores, faltou a narrativa e faltaram os aliados. Visitaremos a sua narrativa, porque de aliados, regressados às suas vidas, já não precisam. Precisará a TAP, talvez.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Oct 17, 2023 • 1h 52min

António Brito Guterres: o que nos esconde a cidade invisível?

Assistente Social com pós-graduação e doutoramento em Estudos Urbanos, António Brito Guterres coordenou projectos com jovens, foi director do Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira e chefe de Projecto da Iniciativa Bairros Críticos do Vale da Amoreira. Trabalho com a Fundação Aga Khan Portugal, coordenando projectos de desenvolvimento local, de expressão artística e cultural. Foi responsável por políticas públicas em territórios como Pendão, Bairro dos Navegadores, Outurela-Portela, Barronhos, Serra das Minas, Algueirão-Mem Martins, Tabaqueira, Alta de Lisboa, Curraleira, Portugal Novo, Eixo Almirante Reis em Lisboa, Quinta do Loureiro, Cabrinha e Liberdade/Serafina. O seu combate é o fortalecimento das organizações da sociedade civil nestes bairros. Conhece os bairros das periferias da região de Lisboa como as palmas da sua mão. Conhece a cidade invisível, para me socorrer do nome do programa em participa semanalmente na Antena 1, dando a conhecer as pessoas que não vemos em Lisboa. Nunca se acomodando a lugares de poder, é habitual vê-lo juntar a sua voz aos que realmente não têm voz nas nossas cidades. O que faremos hoje é uma curta caminhada numa pequena parte da cidade, para falarmos de casos e episódios que nos permitem falar de cidade, participação e democracia. De passeio, encontraremos, se tudo correr bem, alguns dos protagonistas dessa cidade, que o António nos dará a conhecer. O palco, ou melhor, a rua, é deles.  Pode ver a fotogaleria em Expresso.ptSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Oct 2, 2023 • 1h 47min

Pedro Adão e Silva: para que serve o Estado na cultura?

Pedro Adão e Silva, o recém-nomeado Ministro da Cultura em Portugal, discute seu surpreendente papel na gestão cultural. Ele aborda a importância do património e como sua posição política pode beneficiar o setor. A conversa também toca em desafios como a turistificação do património e a necessidade de maior acesso à cultura. Além disso, ele reflete sobre a memória cultural e o impacto das decisões políticas na arte e na diversidade. Surpreendentemente, destaca que um ministro não precisa ser um especialista para fazer a diferença.
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Sep 19, 2023 • 1h 22min

Vera Ferreira: a descarbonização ainda pode ser justa?

As alterações climáticas provocadas pelo efeito humano já não são uma discussão científica, dado o consenso existente. Têm de ser política. Os efeitos não são iguais para todos. Vão empobrecer ainda mais o sul global, que quase nada contribuiu para o estado a que chegámos. E a transição energética vai gerar milhões de empregos qualificados, deixando pelo caminho um rasto de destruição de empregos e territórios dependentes das energias fósseis. Como compensar estes efeitos é uma discussão política, que convém ter quanto antes, sem esperar que as populações reconheçam uma suposta generosidade das medidas para descarbonizar o planeta que as deixa pelo caminho. Ou há equidade nas respostas, não sendo aceitável que se permita a proliferação de jatos particulares enquanto se limita o acesso dos carros ao centro das cidades, ou é nas democracias que a derrota desta agenda será mais violenta. Vera Ferreira, mestre em relações internacionais, onde trabalhou sobre "Migrações Climáticas e Segurança Humana", está a concluir o doutoramento em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A sua tese, “transição energética em Portugal no horizonte 2050”, centra-se na discussão sobre uma transição energética justa em Portugal. É ela a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Sep 5, 2023 • 59min

Mariana Cabral: o que diz um beijo sobre o futebol feminino?

No momento mais importante das suas vidas desportivas, as mulheres da seleção espanhola de futebol viram o palco ocupado por um homem. Com um beijo na boca de uma jogadora que, para todos os efeitos, era sua subordinada, totalmente despropositado e abusivo em contexto profissional, abriu-se um debate que pode parecer exagerado, pelo momento emocional em que o episódio se deu, mas que é muitíssimo relevante. Porque os pequenos episódios com grande visibilidade são, muitas vezes, os que permitem sublinhar que não é natural o que muitos julgam ser. Nos últimos anos de jornalista, Mariana Cabral acumulou a atividade no Expresso com o treino das equipas de juvenis femininas do Sporting, até se ter dedicado a 100% como treinadora, agora com a equipa sénior feminina do SCP. Mulher, treinadora de futebol e feminista, fala sobre desporto, igualdade e sobre o beijo despropositado e abusivo de Luis Rubiales neste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Aug 21, 2023 • 1h 19min

Alfredo Cunhal Sendim: há uma agropecuária sustentável e capaz de nos alimentar? [21 de outubro de 2019]

Para o mês de agosto, enquanto estamos de férias, escolhemos quatro episódios anteriores à chegada do Perguntar Não Ofende ao Expresso. A qualidade de som não será exatamente a mesma, uma ou outra coisa pode estar ultrapassada. Mas são quatro entrevistas quase que considero exemplares das pessoas que demos a conhecer e dos debates que aqui tivemos. Não são o Presidente da República, o primeiro-ministro, os líderes dos partidos, Dilma Rousseff ou grandes figuras da cultura portuguesa, que por aqui passaram e que pode procurar na secção o Perguntar Não Ofende na página do Expresso. São quatro conversas exemplares dos últimos anos, para ir ouvindo durante as férias. Voltamos em setembro com novas conversas. Em outubro de 2019 fomos até ao Montado do Freixo do Meio para uma conversa ao ar livre com Alfredo Cunhal Sendim. Esta herdade é a materialização de um tratado político. Trabalha-se para criar um sistema de produção alimentar e de distribuição capaz de combater as alterações climáticas, contrariando a lógica da produção intensiva. Alfredo recuperou o montado, que permite uma exploração multifuncional, integral e sustentada dos recursos, sem os esgotar. Um bom símbolo para recordar uma coisa que não está na moda: que uma alimentação sustentável é equilibrada e integral. Para compreender como é possível um projeto que parece alternativo e marginal ter ganho a dimensão que tem, foi com ele que falámos há quase quatro anos. Neto de um latifundiário de Montemor. Era ele ainda uma criança, as terras foram ocupadas pela Reforma Agrária. Quando a família as recebeu de volta, Alfredo era um jovem universitário em Évora, que vinha de uma vida urbana e despreocupada da Avenida de Roma. Quando as terras lhe caíram no colo, começou por fazer o que sempre se tinha feito. Comprou mais ovelhas, que alimentava com o que vinha de fora, produzia trigo e a cortiça pagava os prejuízos do resto. Foi a aprendizagem através do erro que o fez repensar tudo. E tinha a escala que lhe permitia ser mais ambicioso. Hoje, a Herdade do Freixo é um exemplo incontornável para quem queira pensar alternativas para uma agropecuária sustentável. Recuperou o montado, um sistema agro-silvo-pastoril criado e mantida pelo homem durante oito séculos, para aproveitar de forma sustentada solos pobres e um clima hostil. Um sistema que foi destruído pelo uso industrializado, intensivo e insustentável dos solos. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Aug 14, 2023 • 1h 12min

Miguel Vale de Almeida: as políticas de identidade estão a destruir a esquerda? [18 de outubro de 2018]

Para o mês de agosto, enquanto estamos de férias, escolhemos quatro episódios anteriores à chegada do Perguntar Não Ofende ao Expresso. A qualidade de som não será exatamente a mesma, uma ou outra coisa pode estar ultrapassada. Mas são quatro entrevistas quase que considero exemplares das pessoas que demos a conhecer e dos debates que aqui tivemos. Não são o Presidente da República, o primeiro-ministro, os líderes dos partidos, Dilma Rousseff ou grandes figuras da cultura portuguesa, que por aqui passaram e que pode procurar na secção o Perguntar Não Ofende na página do Expresso. São quatro conversas exemplares dos últimos anos, para ir ouvindo durante as férias. Voltamos em setembro com novas conversas. Antigo dirigente do Bloco de Esquerda, deputado do Partido Socialista e um dos mais notáveis ativistas dos direitos LGBT, o professor e antropólogo Miguel Vale de Almeida trabalha em questões de género e sexualidade, assim como de raça e pós-colonialismo. Foi com ele que gravamos há quase cinco anos, nos primeiros meses de existência do podcast, em casa. Estará a esquerda, com a sua concentração nas políticas de identidade, a desfocar do combate à desigualdade social e económica que poderia mobilizar uma grande maioria? Será que essa estratégia não a atirará para uma derrota histórica que deixará a direita neoliberal e a extrema-direita sozinhas no confronto político fundamental? Sim, é verdade que a luta pelo poder está em todos os aspetos da vida, do Estado à casa, da empresa à cama. Mas é uma verdade politicamente inútil, porque ela balcaniza os atores políticos e as suas causas. E esta esquerda não se limitou a somar minorias de oprimidos, também somou maiorias de opressores. Que somos, de alguma forma e em alguma das nossas identidades, todos nós. E que tem no discurso da culpa a resposta para a superação dessas opressões. O argumento é substituído pelo tabu que torna qualquer debate num campo de minas. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Aug 7, 2023 • 1h 23min

Maria Gil: os ciganos são inassimiláveis? [18 de julho de 2019]

Para o mês de agosto, enquanto estamos de férias, escolhemos quatro episódios anteriores à chegada do Perguntar Não Ofende ao Expresso. A qualidade de som não será exatamente a mesma, uma ou outra coisa pode estar ultrapassada. Mas são quatro entrevistas quase que considero exemplares das pessoas que demos a conhecer e dos debates que aqui tivemos. Não são o Presidente da República, o primeiro-ministro, os líderes dos partidos, Dilma Rousseff ou grandes figuras da cultura portuguesa, que por aqui passaram e que pode procurar na secção o Perguntar Não Ofende na página do Expresso. São quatro conversas exemplares dos últimos anos, para ir ouvindo durante as férias. Voltamos em setembro com novas conversas. Há quatro anos, fomos até ao Porto conversar com Maria Gil, também conhecida como Maria da Fronteira. Mulher, cigana, feminista e ativista antirracista. A sua história de ativismo e luta é longa e teve muitas frentes. Passou por trabalho social dirigido a todas as comunidades, pela representação da comunidade cigana e pelo teatro. Este é o segundo episódio antigo que recuperamos este mês, gravado durante a primeira temporada do podcast, ainda sem estúdio fixo e com outros meios. A exclusão dos ciganos tem um lastro histórico. Foram quinhentos anos de perseguição, com açoitamentos públicos, sedentarizações forçadas, institucionalização de crianças para instrução e proibição do uso da sua língua, dos seus trajes e das suas celebrações. Só em 1822 lhes foi atribuída a cidadania portuguesa e, mesmo assim, uma portaria de 1848 exigiu que usassem passaporte. Mesmo depois do 25 de abril, no final dos anos 90, houve uma autarquia que decretou a sua expulsão do concelho. E estamos apenas a falar de racismo explícito e institucional. O outro, disseminado por toda a sociedade, dura quase intocado até hoje. O Holocausto Judeu marcou para sempre a forma como lidamos com o antissemitismo. Estranhamente, o Holocausto cigano foi apagado da memória, permitindo que se perpetuasse a perseguição, a exclusão e o preconceito. É raro que os próprios ciganos sejam chamados a um debate que lhes diz antes de todos respeito. E é por isso que neste episódio falamos com Maria Gil, mulher, cigana, feminista e ativista antirracista. A sua história de ativismo e luta é longa e teve muitas frentes. Passou por trabalho social dirigido a todas as comunidades, pela representação da comunidade cigana e pelo teatro. Filha de pai e mãe ciganos, crescida dentro da comunidade, vive com um pé dentro e outro fora. Por isso a conhecem como Maria da Fronteira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Aug 1, 2023 • 1h 31min

Padre Constantino Alves: quem procura a caridade da Igreja nesta crise? [17 de março de 2021]

Para o mês de agosto, enquanto estamos de férias, escolhemos quatro episódios anteriores à chegada do Perguntar Não Ofende ao Expresso. A qualidade de som não será exatamente a mesma, uma ou outra coisa pode estar ultrapassada. Mas são quatro entrevistas quase que considero exemplares das pessoas que demos a conhecer e dos debates que aqui tivemos. Não são o Presidente da República, o primeiro-ministro, os líderes dos partidos, Dilma Rousseff ou grandes figuras da cultura portuguesa, que por aqui passaram e que pode procurar na secção o Perguntar Não Ofende na página do Expresso. São quatro conversas exemplares dos últimos anos, para ir ouvindo durante as férias. Voltamos em setembro com novas conversas. Há mais de dois anos, ainda durante a pandemia, fomos até Setúbal conversar com o padre Constantino Alves. Na paróquia de Nossa Senhora da Conceição há um restaurante social, uma clínica social dentária e até um espaço ecuménico de culto. Os pobres estão no centro da ação pastoral, como é suposto que aconteça para qualquer cristão. Com a pandemia, aumentou a procura de apoio social, sobretudo de imigrantes, num contexto onde há muitos bairros sociais. O padre Constantino Alves, convidado deste episódio de 17 de março de 2021, não é apenas o motor de uma rede que garante apoio alimentar e médico a partir da sua paróquia. Ele é, muitas vezes, a voz dos que vivem em bairros clandestinos e resistem à demolição das suas casas. Já como padre, foi operário e sindicalista. E, antes do 25 de abril, esteve envolvido na resistência à ditadura e na solidariedade com os presos políticos. A sua história é longa, inesperada e extraordinária. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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