O Assunto

G1
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Nov 25, 2020 • 25min

O que o encalhe dos testes de Covid revela

Em junho, o Ministério da Saúde anunciou uma testagem em massa cuja meta era aplicar 24,5 milhões de exames. Novembro chegou e o resultado é totalmente diferente: até agora foram feitos 5 milhões pelo SUS. E outros 7 milhões estão parados em um galpão, mas correm o risco de vencer, enquanto governo federal, Estados e municípios empurram de um para outro a responsabilidade por distribuí-los. O que deu errado na estratégia de testagem – uma das ações consideradas essenciais para mapear e tentar frear a pandemia? Neste episódio, Renata Lo Prete ouve dois convidados: Carolina Moreno, jornalista de dados da TV Globo que desde a chegada do coronavírus no Brasil acompanha as medidas das autoridades e os números da doença; e Márcio Bittencourt, mestre em Saúde Pública e pesquisador do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP. Carolina explica onde estão os gargalos e conta como, sem poder fazer teste, um trabalhador de São Paulo que mora com uma pessoa contaminada não consegue ser dispensado e corre o risco de espalhar o vírus. Márcio fala da importância da testagem em larga escala: "É o diagnóstico coletivo. Em uma pandemia, quem está doente é a sociedade". E responde se ainda dá tempo de contornar a situação ou se já é tarde demais.
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Nov 24, 2020 • 27min

Polícia privada e o mercado de segurança

João Alberto Silveira Freitas foi morto por dois seguranças privados de uma empresa terceirizada que atende a uma loja do Carrefour, em Porto Alegre. Uma história terrível, mas não inédita. São muitos os casos de violência por agentes privados de segurança, a serviço de grandes corporações de áreas como mercados e bancos, sobretudo contra cidadãos negros. O que se repete também é a lógica de poucas e brandas punições aos agressores. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Sheila de Carvalho, advogada da Uneafro Brasil, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP e fellow do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, e André Zanetic, cientista político especialista em dados e estatística do programa Fazendo Justiça. André explica a gênese da indústria da segurança privada na ditadura militar, detalha os limites da atuação de policiais no setor e informa os números do mercado de segurança clandestina no Brasil. Sheila analisa a relação entre a violência dos agentes e a raça das vítimas e o impacto destes eventos na imagem e no lucro das empresas. Ela indica o que pode ser feito para que casos como este não se repitam, mas sentencia: "quanto tempo vai levar para termos um próximo Beto, provavelmente, não muito."
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Nov 23, 2020 • 21min

Distanciamento: ainda o que mais salva

Os sinais de que o contágio pelo novo coronavírus voltou a aumentar no Brasil estão por toda parte. Um dos mais evidentes é a crescente reocupação de leitos de UTI em capitais de diversas regiões do país. No momento em que o quadro se agrava e muitos se comportam como se a pandemia tivesse acabado, é urgente lembrar das práticas essenciais de proteção contra o vírus, as únicas disponíveis enquanto a vacina não chega. Por isso, neste episódio Renata Lo Prete conversa com o médico brasileiro Ricardo Parolin, doutorando na Universidade de Oxford e participante do Grupo de Resposta do Imperial College de Londres. De restaurantes a academias, de escolas ao transporte coletivo, ele avalia o grau de exposição em diversos ambientes e conclui: “nossa proteção se baseia em um conjunto de medidas”. Mas elas têm gradação de importância: “A principal é o distanciamento social”, diz. A máscara deve ser associada a ele, “como oportunidade de reduzir ainda mais o risco". Parolin explica por que o distanciamento vem antes de tudo e ensina como fazê-lo de maneira correta no trabalho e nos deslocamentos necessários.
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Nov 21, 2020 • 23min

ESPECIAL ELEIÇÕES: centro, centrão ou direita?

A qualificação varia ao gosto do freguês. O fato é que partidos desse campo foram os grandes vencedores do primeiro turno - começando pelas sete capitais em que a disputa se definiu já no último domingo. E podem ampliar o placar no segundo, tanto em número de prefeituras quanto em população governada, já que têm finalistas nas duas maiores cidades do país. Qual é o significado do crescimento de siglas como DEM, Progressistas (antigo PP), PSD e Republicanos, que, com graus variados de adesão, sustentam o governo Bolsonaro no Congresso? Elas terão projeto próprio em 2022 ou tendem a acompanhar o presidente na tentativa de reeleição? No oitavo episódio da série de O Assunto sobre as eleições municipais de 2020, Renata Lo Prete debate essas e outras questões com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo, e o cientista político Christiano Noronha, vice-presidente e sócio da consultoria Arko. A série tem dez episódios, lançados sempre aos sábados.
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Nov 20, 2020 • 19min

O reconhecimento da negritude no Brasil

Mais da metade da população é negra: 57% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos. Proporção impulsionada pelos 12 milhões de pessoas que, nos últimos 8 anos, mudaram a forma como se identificam do ponto de vista racial. Trata-se de um fenômeno demográfico e sociológico que acompanha o aumento do acesso da população negra à educação formal e à representação política. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Matheus Gato, professor de sociologia na Unicamp, integrante do Núcleo Afro do Centro Brasileiro de Pesquisa e Planejamento (Cebrap) e autor do livro “O Massacre dos Libertos – sobre raça e república no Brasil”. Ele analisa as motivações para que cada vez mais pessoas se autodeclarem negras. Matheus relaciona o espaço do negro na sociedade brasileira com o episódio da história brasileira que é tema de seu livro - em 1889, centenas de moradores negros de São Luís, no Maranhão, protestaram contra a possibilidade de a recém-proclamada república revogar a abolição da escravatura, assinada um ano antes - e afirma que este movimento é uma forma de buscar “imagens e possibilidades de referencial para as pessoas negras possam se ver e se sentir protagonistas de suas próprias histórias”.
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Nov 19, 2020 • 26min

Os caminhos da madeira ilegal

Ao prometer divulgar uma lista de países que estariam comprando madeira retirada da Amazônia de forma criminosa, o presidente Jair Bolsonaro atraiu a atenção para uma atividade que vem burlando as normas e a fiscalização graças, em boa medida, ao desmonte regulatório promovido pelo próprio governo. Neste episódio, Renata Lo Prete explica e dimensiona o problema em conversas com Beto Veríssimo, engenheiro agrônomo e co-fundador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e Maurício Torres, professor do Instituto de Agriculturas Amazônicas da Universidade Federal do Pará. Beto faz um raio-X do negócio da madeira, descreve seu histórico declinante e mostra que o produto ilegal abastece majoritariamente o mercado interno. Ele também avalia a nova tecnologia de rastreamento da Polícia Federal, mencionada por Bolsonaro no mesmo evento em que falou da suposta lista. Maurício relata o passo-a-passo da extração na floresta e os expedientes para dar “verniz de legalidade” à madeira. Para ele, trata-se do “maior antro de trabalho escravo” da Amazônia.
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Nov 18, 2020 • 23min

Peru: onde os presidentes não param em pé

Três presidentes em uma semana: Francisco Sagasti assumiu após a renúncia de Manuel Merino, que entrou no lugar de Martín Vizcarra, tirado do cargo em um processo de impeachment. Este é o novo capítulo da crônica peruana, país que vive uma turbulência política. Mas tudo começou dois anos atrás, com a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com dois convidados: Marina Yzu, peruana que esteve nos protestos, e Nicolás Urrutia, analista sênior para o Peru da consultoria Control Risks. Marina relata o clima de medo nas manifestações: "Não são só duas pessoas que morreram, são duas pessoas que saíram de casa para defender o país e que morreram por uma agressão violentíssima da polícia". Ela ainda detalha o papel das redes sociais e dos jovens nas manifestações e a repercussão da ação violenta da polícia, "abraçada" pela população durante a crise da pandemia e agora supostamente envolvida no estranho caso de desaparecimento de jovens. Nicolás explica a conjuntura política que derrubou Vizcarra, indica o que Sagasti precisa fazer para não ter o mesmo destino de seus antecessores e analisa se ele tem condições de se manter no cargo até as eleições presidenciais marcadas para abril de 2021.
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Nov 17, 2020 • 29min

Eleição foi mesmo ruim para Bolsonaro?

A maioria dos candidatos aos quais o presidente deu apoio explícito naufragou nas urnas, inclusive na maior cidade do país. E o principal sobrevivente, Marcelo Crivella (Republicanos), tem pela frente um segundo turno dificílimo no Rio de Janeiro. Sinal de fracasso e de enfraquecimento para 2022? Não necessariamente, pondera o filósofo Marcos Nobre, professor da Unicamp e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), nesta entrevista a Renata Lo Prete. Ele começa por lembrar que o pleito deste ano não é “sobre” Bolsonaro. Ainda que a desaprovação ao presidente, em alta nas capitais, tenha contribuído para alguns dos resultados do domingo, convém não esquecer que partidos cada vez mais embarcados no governo, como PP e PSD, tiveram salto no número de prefeitos. Para Nobre, o que se desenha é uma reorganização de forças políticas com um núcleo de extrema direita, outro da “direita tradicional” (que agora tem o DEM como principal ator) e um terceiro à esquerda. “Dentro de cada um desses núcleos, a fragmentação aumentou e será preciso negociar mais”, diz. Ele também desenha um mapa de pontos de atenção para o segundo turno.
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Nov 16, 2020 • 27min

O saldo do 1º turno - e para onde olhar no 2º

Adiadas por causa da pandemia, as eleições municipais foram marcadas por uma inédita lentidão na divulgação dos dados oficiais pelo Tribunal Superior Eleitoral. Conforme os resultados foram anunciados, partidos do espectro do centro à direita coletaram vitórias na maioria das capitais brasileiras. Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Natal, Palmas e Salvador saem do primeiro turno com prefeitos eleitos. Nos dois maiores colégios eleitorais do país, os atuais prefeitos encaram desafios distintos: no Rio, Marcelo Crivella enfrentará Eduardo Paes; em São Paulo, Bruno Covas está em vantagem, mas vê Guilherme Boulos de perto. Com Renata Lo Prete neste episódio, três jornalistas da Globo que cobriram intensamente o domingo de votação e apuração: Nilson Klava, Valdo Cruz e Julia Duailibi. Klava fala sobre a demora na divulgação dos resultados e do alto índice de abstenção. Valdo, descreve como ficou o cenário para novos candidatos e para os prefeitos que tentaram a reeleição. E Julia analisa como o apoio do presidente Jair Bolsonaro a candidatos a prefeito não vingou e indica para onde é preciso olhar nas disputas de segundo turno.
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Nov 14, 2020 • 35min

ESPECIAL ELEIÇÕES – A reta final em São Paulo

Na maior capital do país, com quase 9 milhões de votantes, a disputa nunca é apenas local. Alguns dos principais atores da política brasileira têm candidatos na eleição paulistana - e será inevitável confrontá-los com os resultados. Se o prefeito Bruno Covas (PSDB) confirmar o favoritismo, o impacto nas pretensões do governador João Doria (PSDB) para 2022 estará dado ou não necessariamente? Se Celso Russomanno (Republicanos) nem chegar ao segundo turno, qual será o efeito para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que patrocinou abertamente a terceira aventura do deputado e apresentador na cidade? O que significará para o PT perder o protagonismo da esquerda em seu berço político? Questões como essas, somadas ao eletrizante embate entre Guilherme Boulos (PSOL), Márcio França (PSB) e Russomanno pela vaga de adversário de Covas no segundo turno, amplificam o interesse pelo desfecho do pleito. Para discuti-las, Renata Lo Prete recebe neste episódio dois profundos conhecedores do mapa eleitoral de São Paulo: o jornalista Fabio Zambeli, analista-chefe do Jota, e o cientista político Jairo Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Público, da FGV. Fabio explica por que o “bolsonarismo sem Bolsonaro” não funciona. Jairo aponta os números mais recentes para mostrar que a queda na avaliação de Bolsonaro na capital paulista contribuiu para o derretimento de Russomano. Ambos recomendam atenção ao fator pandemia na votação deste domingo, avaliam as chances de Covas liquidar já a fatura e explicam o que está mudando no maior colégio eleitoral do Brasil. A série terá dez episódios, lançados sempre aos sábados.

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