

A Beleza das Pequenas Coisas
Expresso
Conversas conduzidas por Bernardo Mendonça com as mais variadas personagens que contam histórias maiores do que a vida. Ou tão simples como ela pode ser
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Apr 21, 2017 • 1h 11min
Celeste Rodrigues: “A vida todos os dias é uma aventura. E a música torna as pessoas mais bonitas”
Celeste Rodrigues, fadista, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste, irmã de Amália Rodrigues, atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 14, 2017 • 1h 26min
Herman José: “Não posso dizer tudo o que quero. Ainda sou novo para ser velho, mas quando for velhote serei absolutamente insuportável”
Anda há mais de quarenta anos a fazer-nos rir, e o nosso humor não seria o mesmo sem ele. Herman José tem sido genial na arte de subverter e caricaturar o país. Ao longo do seu percurso já teve momentos bons e menos bons, alguns particularmente desafiantes, mas soube reinventar-se na TV e fora dela, regressando à estrada e aos espetáculos ao vivo. Foi numa pausa das gravações do seu programa “Cá por Casa”, na RTP1, que Herman nos recebeu na sua quinta, em Azeitão, o seu refúgio e laboratório criativo. Uma conversa que revisita o seu passado, desfaz mitos, revela algumas mágoas e alegrias e os seus prazeres e luxos. “A felicidade está imenso nos bens materiais. Mas apaixonei-me sempre por pessoas tesas.” Herman garante que respeita as pessoas que têm fé, mas considera que sofrem muito mais na vida: "A divindade nunca se mexeu para nada". Herman, o verdadeiro artista, para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 7, 2017 • 1h 25min
Anabela Moreira: “A peregrinação a Fátima não é um caminho santo. São só pessoas no limiar do sofrimento. Eu cheguei perto da loucura”
Há dois anos a atriz Anabela Moreira andou mais de 400 quilómetros, entre Bragança e Fátima, para sentir no corpo e na pele, o que significa esse longo caminho de fé até ao lugar dos "milagres", que celebra este ano o seu centenário. Foi uma experiência dura, de laboratório, que Anabela fez para poder representar a personagem Céu, no filme “Fátima”, de João Canijo, com estreia marcada para o próximo dia 27 de abril. As restantes 10 atrizes do elenco passaram por episódios semelhantes. “Acho que foi a maior loucura que todas nós fizemos por um realizador. Certamente foi a maior loucura que fiz na vida. Porque, às tantas, estava em causa a nossa saúde. Andámos por estradas perigosas, sem bermas, junto a camiões, sem qualquer segurança. Por vezes senti-me louca. Ninguém imagina o sofrimento que é.” Este é o mote para uma conversa generosa no seu teatro, o Teatro Turim, em Benfica, onde recorda o caminho pessoal, o passado na moda, os vários métodos para chegar à verdade das personagens, a descoberta da realização, as angústias e tormentos, os prazeres da mesa e as músicas que lhe alimentam a alma. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 31, 2017 • 1h 10min
Herberto Smith: “Ser negro neste país é ainda carregar um manto pesado. Mas ser-se português não é sinónimo de se ser branco”
São os jovens negros apagados do retrato, arrumados no gueto, ignorados ou malfalados, que vivem na pele a ‘thug life’, o racismo, a falta de emprego, a marginalidade, aqueles que cativam a atenção da lente do fotógrafo Herberto Smith. “Quero encontrar o lado vulnerável, belo e humano desses rapazes dos bairros problemáticos. Dar-lhes rosto, voz e ‘empoderá-los’, trazer-lhes autoestima, integrá-los e tirá-los dos guetos. Ainda vou erguer um exército de criativos africanos.” Uma conversa que vai fundo na experiência de se ser negro em Portugal, pela voz de um fotógrafo que nos anos 90 viveu no epicentro da noite, da moda e que hoje tem uma missão maior: retratar e rescrever a memória africana em Portugal. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 24, 2017 • 1h 26min
Gisela João: “Cada vez que canto estou a lamber as minhas feridas. E espero lamber também as feridas dos que me ouvem”
Quem ouvir esta conversa corre o risco de ficar tomado pela voz desta mulher e da sua simplicidade, também ela complexa. Foi há dois anos que Gisela João pisou pela primeira vez os palcos dos Coliseus. Mas, antes, esta minhota de Barcelos lançara o seu primeiro disco (2013), que foi logo um espanto, e recebeu um aplauso generalizado que lhe ditou o destino: viver todas as vidas através do fado. Em palco, os sapatos saem-lhe depressa dos pés, para o sentimento ser mais livre. No próximo dia 31 sobe ao palco do Coliseu do Porto e a 7 de abril estará no Coliseu de Lisboa para apresentar o seu último disco, “Nua”. E promete dar-se por inteiro. “Quero que seja uma festa. Que as pessoas fiquem felizes pra ‘carago’. Que aconteça fado!”. Neste encontro, Gisela revela o que lhe vai na alma, recorda a infância, os escapes, os prazeres, os talentos ‘do cacete’ e o que a move na vida. Tudo isto neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 17, 2017 • 1h 21min
Isabel Moreira: “Eu só quero ser um espírito livre. E pago o preço disso com a solidão. Os homens têm medo de mulheres livres”
É uma mulher corajosa, lutadora, afirmativa, que vive permanentemente atormentada com os problemas de uma multidão de gente que espera que ela abra caminho para um país mais livre, sem preconceitos. “Luto todos os dias por uma sociedade menos sexista e homofóbica. A luta pela igualdade é aditiva. Entranha-se na pele. É um comboio que se apanha para a vida. É para sempre.” A deputada socialista Isabel Moreira recorda como foi crescer à esquerda numa família conservadora de direita e como ganhou o gosto pela política por causa do pai, o histórico democrata cristão Adriano Moreira. Uma conversa de verdade, onde Isabel recorda a infância, o que a levou à política, a solidão que vive, o passado de violência que ainda a atormenta, o prazer pela escrita, pela dança e as músicas que a levam a agitar-se na pista como se a vida estivesse para acabar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 10, 2017 • 1h 17min
Lena d’Água, a alma danada: “Desculpem lá se não morri jovem e bela”
De símbolo sexual do rock português dos anos 80 ao recato de uma aldeia no meio da natureza, passou uma vida. Muita coisa mudou, mas a voz doce e cristalina mantém-se intacta, assim como o seu jeito livre e desalmado de ser. Deu que falar nas últimas semanas por ter arriscado concorrer ao Festival RTP da Canção, o que representou para si uma espécie de “renascimento”. Mote para uma conversa que percorre os loucos anos do rock, os vícios, os amores e os desejos: “Vou gravar um disco e ainda quero encher o Coliseu. A idade é mais um assunto na cabeça dos outros do que para mim”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 3, 2017 • 1h 11min
Rita Blanco: “Enquanto vivo outras vidas distraio-me da minha própria morte”
É uma das nossas melhores atrizes. Ao longo do seu caminho já foi muitas mulheres no cinema, no teatro e na televisão . “Estou velhinha de viver tantas vidas tão intensamente.” Fora dos palcos, Rita Blanco detesta as máscaras dos outros — a ‘teatra’ do quotidiano — e usa o humor para as desarrumar, para lhes encontrar um lado mais genuíno. “As pessoas protegem-se demasiado, raramente são verdadeiras. E quando não consigo comunicar com elas sai-me o ‘alien’ e fico disparatada e provocadora.” Aos 54 anos, a atriz diz que largou carga e está mais serena. “Já não me preocupa o que os outros acham de mim, nem preciso ser amada por todos. Já só preciso de poucas pessoas e poucas coisas perto de mim”. Uma conversa de verdade, que passa pelas angústias de ser mãe de uma adolescente, o amor aos animais, a tristeza pelo fim do Teatro da Cornucópia ou o momento em que esteve prestes a ser apresentada como a nova ‘chica’ para o realizador Pedro Almodôvar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 24, 2017 • 1h 10min
Sobrinho Simões: “Daqui a 50 anos toda a gente vai ter cancro e mais do que um. Mas não vamos morrer disso”
O professor e investigador Manuel Sobrinho Simões, fundador do IPATIMUP e Prémio Pessoa, considerado em 2015 o patologista mais influente do mundo, revela ter medo de contrair cancro, “uma doença terrível se estiver avançada.” Mas apesar de garantir que no futuro será uma doença de todos, por estarmos a viver cada vez mais, a maioria dos cancros serão tratáveis. “Alguns terão mesmo cura.” Sobre si, diz que tem tido uma ‘sorte de gaiola’ – sorte grande, leia-se – por nunca ter tido grandes problemas de saúde até agora, nos seus dinâmicos 69 anos. Assume ter medo do escuro ainda hoje, mas o seu grande fantasma é a reforma. “Não me imagino a parar e a ir para casa. Mas receio que não me deixem continuar.” Uma conversa que passa pela infância, o futuro, a música e o cinema – um dos seus grandes prazeres. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 17, 2017 • 1h 11min
“Qualquer mulher com voz neste país é considerada 'histérica'. Houve homens que me disseram que devia estar calada, na cozinha”
A apresentadora de televisão Rita Ferro Rodrigues, feminista convicta, defensora da causa LGBTI e co-fundadora do site e associação Capazes considera que o país ainda está demasiado ‘ferido’ pela misoginia e machismo. Tanto à esquerda como à direita. E que há ainda mulheres que sofrem desse mal. “As pessoas não percebem que nós não queremos ser iguais aos homens. Queremos é ter os mesmos direitos cívicos dos homens. Sem discriminações.” Prestes a apresentar o novo programa da SIC, “Juntos à Tarde”, ao lado de João Baião, com estreia marcada para o dia 1 de março, recorda o dia em que entrevistou Amália Rodrigues, com 12 anos; o bullying e assédio que sofreu na adolescência; a descoberta precoce da televisão; a desilusão pelo jornalismo e as razões que a levaram ao ativismo social. Uma conversa para ouvir e refletir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.


