A Beleza das Pequenas Coisas

Expresso
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Apr 30, 2021 • 1h 44min

Sara Barros Leitão: “Não é um nome que faz com que a denúncia de assédio seja mais credível. A vítima deve sempre ser ouvida”

É uma atriz e criadora cheia de urgência. Diz de si que nasceu atrasada, tanto é o que quer fazer no palco e fora dele. Sara Barros Leitão descreve-se como feminista, ativista, incoerente, revolucionária. E afirma usar o espaço de cena e o papel e a caneta como um bidão de gasolina para atear fogos no pensamento, desfazer em cinzas a desigualdade e preconceito e trazer a lume a história das pessoas esquecidas e invisíveis. “A minha questão sempre foi como uso o meu privilégio para mudar o mundo. O privilégio tem de ser distribuído tal como a riqueza." Aos 30 anos, com um percurso em teatro, cinema e televisão, já foi nomeada para os Prémios Sophia, Prémios Áquila, Globos de Ouro e, em 2020, venceu a 1.ª edição do Prémio Revelação Ageas Teatro Nacional D. Maria II, que reconhece os talentos emergentes do teatro. “Um dos grandes desafios para um jovem artista é sobreviver e lutar contra a precariedade." Sobre as denúncias de assédio no meio audiovisual português, afirma nesta entrevista que conhece essa realidade e que é testemunha do caso tornado público pela atriz Sofia Arruda. “Estas denúncias que vão sendo feitas têm de ser acompanhadas com uma grande discussão pública que está agora a começar"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 23, 2021 • 1h 45min

José Gameiro: “A preguiça é um direito de cada um de nós, o direito de não fazer nada. As melhores ideias aparecem quando estou a preguiçar”

Há mais de 40 anos que o médico psiquiatra ouve os desabafos e angústias dos casais em crise. E nesta conversa deixa claro que, mais do que a infidelidade, o pior veneno para o casal é a crítica destrutiva e sistemática. Sobre a pandemia, assume que se enganou ‘redondamente’ no início e que não esperava que provocasse tanto impacto na saúde mental. E prevê que a crise económica irá piorar largamente o bem-estar psicológico das pessoas. Sobre si, aos 71 anos revela que continua a saber tirar gozo da vida. “Sou um gajo de prazeres. Não consigo viver sem tempo, sem os pequenos prazeres. E sempre que possível, todos os fins de semana eu e um amigo pilotamos um avião e decidimos aonde vamos tomar café no país. O que mais gosto é descolar, sair do chão e andar pelo ar”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 16, 2021 • 1h 36min

Afonso Reis Cabral: “À primeira oportunidade haverá uma catarse coletiva. Em pouco tempo voltamos ao normal e não ao novo normal”

É autor de dois romances aplaudidos pela crítica, “O Meu Irmão” (Prémio LeYa 2014), e “Pão de Açúcar” (Prémio José Saramago 2019) e, em 2019, durante vinte e quatro dias percorreu sozinho Portugal a pé pela mítica Estrada Nacional 2, de Chaves a Faro, onde se cruzou com inúmeras histórias inusitadas, que registou no livro “Leva-me Contigo”. Mas há muito que as viagens são um dos seus maiores prazeres, desde que aos 13 anos viajou de boleia num camião TIR até à Alemanha. A preparar o próximo romance, que deverá sair ainda este ano, assegura que não usará tão cedo a pandemia como pano de fundo para as suas histórias. O que haverá sempre é conflito. “A boa literatura usa sobretudo a quebra, a falha e o conflito. E esse conflito é da natureza humana.” Quanto aos conflitos da atualidade, deixa o recado: “Não me parece que faça qualquer sentido travar uma vacina que nos está a salvar. Um dos atuais venenos são as campanhas de desinformação constantes em relação às vacinas”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 9, 2021 • 1h 44min

Maria Manuel Mota: “Todo este nacionalismo de vacinas é irracional e errado. As partes só ganham quando o mundo estiver a salvo”

Ela é uma das mais relevantes cientistas portuguesas que anda há uma vida a estudar uma vacina para a malária, e no início de 2020 colocou a sua equipa ao serviço do país para ser criado o primeiro kit de diagnóstico português do novo coronavírus. Nessa altura a diretora do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e Prémio Pessoa 2013 afirmou ao Expresso que o causador desta pandemia “é um vírus relativamente bonzinho". Agora, Maria Manuel Mota refaz a frase que dissera: “Este vírus não é bom ou mauzinho. É um organismo que luta pela sua sobrevivência. Temos de ter muito cuidado até termos imunidade de grupo. Mas a verdade é que isto podia ser muito pior.” A cientista sublinha que esta não foi a primeira vez, nem será a última, que o mundo sofreu uma pandemia. E deixa o aviso neste podcast: “A atual pandemia devia ensinar-nos que só vamos estar a salvo quando todos estiverem a salvo no mundo. O Reino Unido pode estar muito contente por atingir a imunidade de grupo, mas quer viver na sua ilha sozinho? Não. O que está a acontecer no Brasil é perigosíssimo para o mundo inteiro"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Apr 2, 2021 • 1h 17min

Afonso Cruz: "A perversidade é uma parte fundamental da arte. Na minha escrita há isso. A boa arte cria uma rutura que dá lugar a algo novo"

Afonso Cruz é um multi premiado autor de mais de 3 dezenas de livros publicados em várias línguas, como "Jesus Cristo Bebia Cerveja" ou “Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas”. Ao estilo renascentista, Afonso é também ilustrador, cineasta de animação, músico da banda “The Soaked Lamb” e produz cerveja. Em abril lança ‘O Vício dos Livros’, que fala sobre o amor e o ódio aos livros e as histórias que surgem a partir daí. O escritor que se mudou há 12 anos de Lisboa para um monte alentejano confessa que a pandemia lhe criou um ‘engarrafamento literário’. O seu próximo romance deverá sair este verão, com um enredo que nos remete para o início dos anos 60 e a construção do muro de Berlim. "Gosto da sensação de ócio quando escrevo. Por vezes sofro um pouco com a escrita. Mas entrego-me a esse sofrimento com prazer."See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mar 26, 2021 • 1h 44min

Beatriz Gomes Dias: “Uma criança negra que me veja na Assembleia e na TV como candidata à Câmara de Lisboa vai poder sonhar chegar lá”

Foram precisos quase 50 anos de democracia para que a Assembleia da República passasse a ter três mulheres negras com assento parlamentar. Beatriz Gomes Dias, deputada do Bloco de Esquerda, é uma dessas mulheres, responsável pelas áreas do combate ao racismo, defesa dos direitos das pessoas migrantes e da cultura, que voltou agora a ser notícia por ser a candidata escolhida pelo BE à Câmara de Lisboa, tornando-se a primeira mulher negra na corrida a esta autarquia. “É importante a representatividade e que haja mulheres como eu com uma agenda política que defenda todas as comunidades que sofrem opressão e discriminação. Mas é preciso inscrever também no nosso tecido coletivo social que as pessoas negras podem representar o país, podem representar uma cidade, podem representar toda a gente.” E Beatriz que sonha uma nova Lisboa mais verde, inclusiva, com menos carros e habitação mais acessível, deixa um recado nesta conversa em podcast sobre uma realidade que quer mudar: “Quando chegamos de manhã ao Parlamento vemos que a maior parte das pessoas da limpeza são mulheres negras. E percebemos como a estrutura da sociedade está ainda organizada"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mar 19, 2021 • 1h 42min

Dalila Carmo: "Ser mulher nesta indústria é lixado. Um homem da minha faixa etária não seria dispensado à mesma velocidade"

Ela já foi corpo, voz e emoção de largas dezenas de mulheres ao longo de mais de 30 anos a representar na televisão, no teatro e no cinema. Nesta conversa a atriz Dalila Carmo, de 46 anos, assume um novo ciclo pessoal e profissional depois da rescisão imprevista com a TVI e refere que o fator idade terá sido uma das razões para a dispensa do canal. Mas a própria vê o momento como uma oportunidade. "Sinto que fiz novelas a mais. A indústria sugou-me um bocadinho." Ainda sobre a saída do canal onde esteve mais de duas décadas acrescenta: “João César Monteiro tinha uma frase em que dizia: ‘Não são vocês que me expulsam, sou eu que me vou embora.’ É o momento para criar as minhas próprias oportunidades.” Dia 22 de abril, a atriz regressa aos palcos com a peça “Noite de Estreia”, no Teatro da Trindade, em Lisboa, uma obra inspirada num dos filmes mais emblemáticos de John Cassavetes, sobre a crise existencial de uma atriz de meia-idadeSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mar 12, 2021 • 1h 54min

Fado Bicha: “Se Portugal está no armário? Sim. É o país dos modestos e moderados”

Se a cantiga é uma arma, eles são uma bazuca. Uma bazuca musical arco-íris disparada sem pedir licença para ocupar um espaço no meio tradicional do fado. E têm a mira apontada contra a homofobia, transfobia, bifobia e todas as formas de discriminação como o racismo e machismo. Eles são o Fado Bicha, Tiago Lila ou Lila Fadista na voz e João Caçador na guitarra elétrica, que há quatro anos assumiram o lado mais ‘queer’ do fado. E passaram a cantar as feridas, desejos e lutas de uma diversidade de pessoas LGBTI+ que até há pouco tempo não apareciam no retrato nem nas canções. Há quem os adore e quem os odeie. Não fazem música para deixar os outros indiferentes. “É bom quando a arte causa desconforto no público e uma ação”, considera João Caçador. “Já houve pessoas a dizer-nos que sentiam que estávamos a fazer justiça poética por elas em palco", afirma Lila. O disco de estreia desta dupla, previsto para 2020, ficou adiado por causa da pandemia, mas entretanto agigantou-se para 18 faixas e já tem nome: “Ocupação”. Ocupem o vosso tempo a ouvi-losSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mar 5, 2021 • 1h 9min

Isabela Figueiredo: “Sempre me vi como imprópria. Anormal. Desadequada.”

Começou a dar que falar há doze anos com um livro de memórias coloniais porque se incomodou com a narrativa suave do pós-colonialismo. E nele assumiu a relação amor-ódio com o pai. “Aquilo que sou hoje também vem do trabalho escravo e mal pago que o meu pai roubou aos africanos que eram os seus empregados.” Mas em 2016 a escritora Isabela Figueiredo voltou a agitar as águas com o primeiro romance, “A Gorda”, uma bomba literária que nos levou a calçar os sapatos de uma mulher com excesso de peso que um dia decide reduzir o tamanho do estômago. Uma obra de autoficção que afinal tem muito de si, já que Isabela escreveu o livro logo após se submeter à mesma cirurgia, o que a levou a perder mais de 40 quilos. “Esse livro é uma declaração de dor, de perda e solidão”. O próximo romance já está escrito e tem uma abordagem da vida algo ‘punk’ ou, como chega a dizer, ‘é muito vegan’: “É sobre ter o direito a não ser nada, a não ser importante e a viver sem trabalhar”. E sobre os prémios lança a farpa: “Mas porque é que só atribuem o Prémio Camões aos 90 anos? Aos 90 anos já não se pode gastar o ‘guito’ numa viagem”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Feb 26, 2021 • 1h 25min

Pedro Simas: “Percebo o receio do Governo de falar em desconfinamento porque vai induzir euforia e descontrolar tudo na sociedade”

O virologista e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, Pedro Simas, que foi um dos signatários de uma carta aberta divulgada esta semana a pedir a reabertura urgente das escolas, é da opinião que haverá pouca vantagem em manter o confinamento muito mais tempo. E está convicto de que as escolas até o 6º ano deverão abrir em breve. “Estamos perto de atingir um planalto em que já não vamos conseguir baixar o número de infeções por dia.” No entanto, o cientista também assume que este cenário de melhoria pode virar. “Pelo menos 70% da população portuguesa ainda não tem imunidade ao vírus. O potencial de disseminação é ainda grande. E aí confio no Governo para saber se há risco ou não de descontrolo social.” Ouça esta conversa em podcast, onde o investigador assume como um enorme desgosto pessoal o levou a uma travessia interior que o transformou num homem mais forte e confianteSee omnystudio.com/listener for privacy information.

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