

A Beleza das Pequenas Coisas
Expresso
Conversas conduzidas por Bernardo Mendonça com as mais variadas personagens que contam histórias maiores do que a vida. Ou tão simples como ela pode ser
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Apr 29, 2022 • 1h 25min
João Grosso: "Formei-me no combate ao medo. Os outros que me queriam negar, exaltaram-me, fizeram-me lutar por aquilo que me pertencia"
É um dos mais prestigiados atores do nosso país, com um amor particular à poesia. Largamente premiado, está em digressão pelo país com o espetáculo “Última Hora”, de Rui Cardoso Martins, com encenação de Gonçalo Amorim. Durante as últimas semanas, foi um dos performers da obra “1983”, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, ao habitar o cenário de uma paragem de autocarro dos anos 80, envolta em estigma e solidão. "Continua a haver preconceito com a diferença. Isso mexe com a dignidade e com o direito que qualquer pessoa tem a explanar o seu ser em toda a sua grandeza." E recorda o momento em que teve um processo em tribunal, em 1987, por cantar na televisão pública o hino nacional em versão punk-rock, ou quando foi espancado por 'skinheads' para proteger a vida de um rapaz. "O ódio ainda anda por aí. Combate-se o ódio com Educação e Cultura."See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 22, 2022 • 1h 46min
Edite Estrela: "É altura de as mulheres desempenharem os altos cargos da nação. As mulheres servem para trabalhar, mas também para decidir"
A propósito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a vice-presidente da Assembleia da República, Edite Estrela, começa por deixar a mensagem: “Há os heróis do 25 de Abril, mas é justo que a História reconheça também o papel das mulheres, que têm sido esquecidas.” Feminista e acérrima defensora da igualdade de género, deixa claro que há uma revolução contra o patriarcado por se cumprir. “A democracia não se cumpre se prescindir do contributo de metade da população. Temos de afastar a ideia de que as mulheres trabalham e os homens brilham, que as mulheres são formiguinhas e os homens podem ser cigarras e usufruir do trabalho das mulheres.” Neste podcast, Edite Estrela recorda que quando se filiou no PS e foi deputada na AR, havia poucas mulheres no parlamento. “Era o reino do masculino. Foi precisamente quando se introduziu o sistema de quotas que se começou a feminizar a política." O seu nome chegou a ser apontado para a presidência da AR nesta nova legislatura. Tal não aconteceu, mas nesse processo houve uma campanha negativa sobre si, em relação ao qual comenta: “Estou convencida que fui mais atacada por ser mulher. Há sempre uma tendência para se escrutinar mais a mulher na política.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 15, 2022 • 2h 6min
Natália Luíza: “Gosto de provocar revoluções. É preciso abalar as estruturas. Antes era violenta, agora faço-o com doçura. É mais eficaz!”
É co-diretora artística do Teatro Meridional, em Lisboa, e tem em cena a peça “Vida Inversa”, com encenação sua e texto de José Luís Peixoto, sobre um mundo distópico que se parece com o nosso. Afirma que é mais feliz a dizer poesia e a dançar. "A poesia dá-me longe, dá-me céu, dá-me Deus nas pequenas coisas. E ajudou-me a levantar sempre." Com um prestigiado percurso na televisão, teatro e cinema, Natália Luiza afirma que a idade a fez libertar carga. “Sinto que já estou a descer a colina. O corpo vê a paisagem inteira. Sou mais feliz agora. Lido de outra maneira com o tempo e preocupo-me muito menos com minudências.” Este mês acaba de lançar o site a-gente.pt, para todos os atores e atrizes que não são representados por agentes, e planeia lançar um podcast com leituras das mais variadas obras da literatura portuguesa. “As revoluções têm de acontecer permanentemente. Temos que ser Abril todos os dias.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 8, 2022 • 1h 19min
Joana Gama: “O talento e o trabalho podem ser uma maldição. Acredito mais no prazer. É importante encontrarmos o que gostamos de fazer"
Joana Gama é uma das pianistas portuguesas mais incontornáveis da sua geração. Mistura de forma inovadora a música com a dança, a fotografia, o teatro ou o cinema. Faz dupla com Luís Fernandes, piano e eletrónica, e vai apresentar a peça de teatro musical "J-CHOES – J'ai faim" a dia 8 de abril no Teatro Viriato, em Viseu, e a 11 de abril no Goethe-Institut, em Lisboa. Uma obra cheia de humor poético que parte de uma hipótese surrealista: e se Erik Satie aparecesse numa festa musical-culinária dos amigos artistas John Cage e Hans Otte? Sobre a importância das coisas simples a que Joana dá cada vez mais atenção chega a dizer: “Há dias abriu uma flor de esteva no terraço de casa. Foi uma emoção. Se se tivesse mantido uma maior ligação à natureza não estaríamos envolvidos nestas atrocidades, não só relativamente à guerra, como ao capitalismo e aos desastres ambientais.“See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 1, 2022 • 1h 35min
Cláudia Lucas Chéu: "Gosto de ser uma lanterna que ilumina os sítios mais escuros e desagradáveis"
A escritora, poeta, dramaturga, argumentista e atriz Cláudia Lucas Chéu, autora de títulos como “Beber pela Garrafa”, “Mulher Sapiens” e “Ode Triumphal à Cona”, sobe agora ao palco do Teatro Nacional D. Maria II para protagonizar “Orlando”, a peça que escreveu a partir do texto de Virgínia Woolf com encenação de Albano Jerónimo, em cena de 5 a 10 de abril, na sala Garrett. Uma obra que é uma travessia até à verdade, uma celebração e um grito de revolta da comunidade LGBTQIA+. Uma peça que ganha outro peso e significado em tempos de guerra: “Não conheço emoção mais potente do que o amor. É mais poderosa do que o ódio.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 25, 2022 • 1h 36min
Joana Espadinha: "O 'streaming' é injusto para quem cria a música. Os músicos recebem muito pouco. É mesmo ridículo“
Foi em setembro de 2021 que a cantora e compositora Joana Espadinha lançou o último álbum “Ninguém Nos Vai Tirar o Sol”, um mantra luminoso com canções pop, para levantar o ânimo apesar da pandemia, das tristezas e das guerras. Este ano foi autora do tema “Ginger Ale”, interpretado por Diana Castro, que ficou em 2º lugar ex-aequo na final do Festival RTP da Canção, inspirado na experiência da maternidade. “A maternidade é muito romanceada. Não é só um fardo, mas também é. Fala-se pouco do seu lado difícil. É feita dos melhores e piores momentos.“ Sobre o processo de escrita das suas canções chega a afirmar: “Gosto de fazer refrões que sejam fáceis o suficiente para as pessoas cantarem, mas não o suficiente para serem pirosos”. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 18, 2022 • 1h 48min
Manuel Aires Mateus: “Lisboa já não é uma cidade inclusiva e isso é um desastre. Mata a cidade”
Para Aires Mateus “a arquitetura é sempre percebida através do vazio”. E o que constrói “é o limite do vazio.” “A arquitetura só acaba quando a vida se desenrola sobre ela.” Apesar da excelência, relevância e prestígio da sua obra, o arquiteto afirma neste episódio que tem gosto em assinar projetos de habitação para clientes da classe média, com orçamentos reduzidos, desde que haja paixão e entusiasmo por parte de quem lhe encomenda a obra. “Prefiro desenhar na escassez do dinheiro do que na abundância. A arquitetura faz-se desses limites e racionalidade.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 15, 2022 • 1h 17min
Jorge Silva Melo (1948-2022): “Gostava de trabalhar sempre. Espero morrer trabalhando”
Quantas vidas terá vivido nesta vida Jorge Silva Melo? Ele que é encenador, ator, cineasta, dramaturgo, tradutor e crítico português. Ele que passou a infância na antiga cidade de Silva Porto, em Angola, que se formou realizador na London Film School e, mais tarde, estagiou em Berlim, Milão e foi ator em Paris. Decidiu regressar para o seu país porque para si pátria é culpa e responsabilidade. Fundador do “Teatro da Cornucópia” e dos “Artistas Unidos” é um mestre e mobilizador de artistas, histórias e projetos. O Expresso recupera esta entrevista, de 6 de dezembro de 2019, ao Beleza das Pequenas Coisas no dia da morte de Jorge Silva Melo (1948-2022)See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 11, 2022 • 2h 5min
Ana Rocha de Sousa: “Ter um filme nos Óscares? É um sonho que vou concretizar”
Esta gravação foi feita dias antes da realizadora Ana Rocha de Sousa partir para Los Angeles, nos EUA, onde estará durante semanas em residência artística para o seu próximo filme, que está a preparar há um ano. “Trata-se de um filme focado em questões sociais. É uma tragédia, mas que pretende ajudar a trazer esperança.” A realizadora quer continuar a usar a lente do cinema para provocar reflexão e discussão sobre problemas sociais que são fonte de injustiças, abusos e violências. “O cinema ajuda-nos a esta possibilidade infinita de trazer mudança. Essa foi a mais bonita descoberta para mim.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 4, 2022 • 1h 1min
José Milhazes: “Receio que Putin leve a Rússia para a cova com ele!”
Apesar do sotaque poder iludir sobre as suas origens, José Milhazes é natural de Vila do Conde, crescido numa família modesta na vila piscatória de Caxinas. O pai era pescador, tal como o avô, mas Milhazes decidiu cedo navegar para a ex-União Soviética, onde chegou em 1977 com uma mala de cartão cheia de ilusões em busca do ‘paraíso comunista’. O tal ‘paraíso’ revelou muitos infernos e contradições, mas foi em solo russo que se formou em História e viveu durante 38 anos, a trabalhar como tradutor e correspondente português da TSF, do Público e da SIC.See omnystudio.com/listener for privacy information.


