Malu Gaspar, colunista de O Globo e especialista em política brasileira, e Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional da UFF, discutem os desdobramentos da tentativa de golpe envolvendo Jair Bolsonaro. Eles analisam a delação de Mauro Cid e os áudios reveladores que expõem a colaboração entre civis e militares. Malu contextualiza a atuação dos militares nos acampamentos golpistas, enquanto Gustavo explica as implicações jurídicas das novas evidências. A conversa também reflete sobre as consequências para a democracia e as instituições.
A delação de Mauro Cid expôs o envolvimento direto de Jair Bolsonaro na articulação de uma tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Os novos áudios revelaram a colaboração entre civis e militares, evidenciando uma coordenação para desestabilizar o governo eleito e invadir instituições.
Deep dives
A trama golpista e os novos áudios
Recentemente, novos áudios revelaram a ligação entre civis e militares em uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Esses áudios mostram que membros do círculo próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro discutiram planos para desestabilizar o resultado da eleição, utilizando manifestantes como uma força de pressão para invadir instituições como o Congresso. O tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, em um desses áudios, detalhou estratégias que incluíam a destituição das autoridades e a possibilidade de manter o governo sob controle militar, evidenciando a seriedade da articulação golpista que se desenrolava no final de seu mandato. As mensagens coletadas pela Polícia Federal reforçaram a ideia de que existia uma coordenação entre os militares e os manifestantes, destacando a urgência de suas ações para evitar a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.
Delação de Mauro Cid e implicações jurídicas
A delação de Mauro Cid lançou luz sobre a estratégia de golpe, revelando que ele mesmo participou da elaboração de um plano para instigar a instabilidade social e mina a credibilidade do sistema eleitoral. Nos seus depoimentos, Cid confirmou que apresentou a proposta de causar distúrbios a líderes de partidos, solidificando a acusação de que uma organização criminosa, sob a liderança de Bolsonaro, estava em operação para deslegitimar o resultado das eleições de 2022. Além disso, Cid admitiu o envolvimento de Jair Bolsonaro em várias tentativas de manipulação da narrativa sobre fraudes eleitorais, indicando que, mesmo diante da falta de provas, houve uma pressão deliberada para que manifestações continuassem como forma de manter um clima propício para a execução de suas táticas golpistas. A combinação da delação com os novos áudios torna a situação jurídica dos denunciados ainda mais complicada, fortalecendo a acusação de tentativa de golpe.
A divisão nas Forças Armadas e o papel de Bolsonaro
As revelações recentes também destacaram a divisão de opiniões entre os altos comandos das Forças Armadas sobre a adesão ao golpe, com alguns líderes hesitando em se envolver em um movimento claramente ilegal. Apesar do apoio de alguns oficiais, os áudios sugerem que os líderes das Forças Armadas estavam cautelosos e se distanciaram da ideia de uma intervenção militar. Essa resistência é crucial, pois mostra que havia consciência institucional sobre a gravidade da situação, contrapondo-se aos indivíduos que buscavam implementar o plano de desestabilização. A presença de Jair Bolsonaro nesses diálogos, embora não tenha sido ouvida em gravações diretas, o coloca no centro da conspiração, com implicações significativas para seu futuro político e legal frente às alegações de ser o mentor da organização criminosa.
Em um intervalo de quatro dias, novos áudios e vídeos expuseram mais detalhes da trama golpista que resultou na denúncia da PGR que implica o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas na tentativa de um golpe de Estado. Primeiro, o ministro do STF Alexandre de Moraes tornou públicos detalhes da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. No último domingo, áudios inéditos revelados pelo Fantástico, da TV Globo, expuseram como civis e militares planejaram romper com o Estado democrático. Para explicar como a delação de Cid e novos áudios de civis e militares se relacionam a Bolsonaro, Julia Duailibi conversa com a jornalista Malu Gaspar e com Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional da UFF (Universidade Federal Fluminense). Malu, que é colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, aponta o que há de inédito na delação de Cid e contextualiza a atuação de militares na coordenação dos acampamentos golpistas antes do 8 de janeiro de 2023. Ela também analisa como está a discussão para que o julgamento do caso seja levado ao plenário do Supremo Tribunal Federal. Gustavo Sampaio explica, à luz da Constituição, como esses novos conteúdos implicam juridicamente os denunciados pela Procuradoria-Geral da República. Ele avalia ainda o peso das provas no conjunto geral das investigações em curso contra Jair Bolsonaro.
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